Goiânia: Tarifa diferenciada preocupa prefeitos

A dependência dos moradores das cidades da região metropolitana em relação à capital ainda é muito grande e, por isso, o fim da tarifa única do transporte coletivo pode ser danosa aos municípios. Esta é a opinião da maioria dos prefeitos ouvidos pelo POPULAR em relação ao estudo do consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) para a criação de subsistemas de tarifas diferenciadas, em que as viagens de longas distâncias, como por exemplo, entre os municípios, tenham um valor maior do que aquelas realizadas dentro da própria cidade.

O estudo do consórcio, que deve virar proposta a ser apresentada ao poder público, se baseia na perda de usuários, que chegou a 12% entre 2016 e 2015, e na inversão dos números que garantiam a eficácia do subsídio cruzado, em que os passageiros de Goiânia pagariam, em distâncias mais curtas, o mesmo que os de outras cidades. Em 2008, o número de viagens na capital era de 70% e hoje esse é o índice que se tem do movimento interior-Goiânia. A proposta ainda defende que o fim da tarifa única ajudaria o morador a se manter na cidade onde mora, fortalecendo o comércio local e exigindo do município investimentos e atração de empregos.

No entanto, o prefeito de Trindade, Jânio Darrot (PSDB), lembra que a região metropolitana de Goiânia já está integrada e a realidade é que muitos moradores do município que administra já possuem vínculo, principalmente empregatício, com a capital. “Já existe esse adensamento na rodovia GO-060 (que liga Goiânia a Trindade) e de fato as pessoas moram lá pelo acesso entre as cidades. Elas vão é para trabalhar, somente isso”, argumenta. Darrot admite que o fortalecimento das linhas internas em Trindade pode, sim, melhorar o comércio interno, mas que isso teria de ser discutido a parte, mantendo a tarifa única.

“Hoje o transporte coletivo é usado fundamentalmente para o transbordo até os terminais e daí para Goiânia, Aparecida ou Senador Canedo. Seria bom a gente ter linhas que ligue os bairros ao centro, mas a realidade é a dependência com a região metropolitana”, diz Darrot.

Subsídio

Prefeito de Goianira, Carlão Oliveira (PSDB) também discorda. Por outro lado, admite que o poder público tem de discutir o pagamento de subsídio ao transporte, como ocorre em muitas cidades do mundo e que isso significa queda no valor da tarifa.

Para Carlão, se o deslocamento dos moradores de Goianira para Goiânia ficar mais caro do que o movimento dentro da cidade nas condições atuais haverá prejuízo e insatisfação das pessoas. “Hoje nós não temos a menor condição de gerar emprego para todo mundo que mora em Goianira e esta é uma realidade muito distante. Temos que sentar e conversar, buscar um equilíbrio para as concessionárias que tanto reclamam de um prejuízo, mas não pode tirar a tarifa única”, argumenta.

O prefeito de Goianira confirma que se conseguisse o equilíbrio e pudesse diminuir o fluxo no movimento pendular de quem mora na cidade e trabalha e compra em Goiânia a situação para o município seria, de fato, melhor, mas que isso deve ocorrer primeiro e não o fim da tarifa única. Mapas consultados pelo consórcio das concessionárias para elaborar a proposta mostram que o adensamento de Goianira é predominante ao longo da GO-070, no sentido a Goiânia, o que revela a dependência em relação à capital.

Em Nova Veneza, a prefeita Patrícia Amaral (PSDB) diz que seu sonho enquanto administradora é fazer com que o município seja independente de Goiânia, mas hoje é uma realidade distante, sobretudo pela questão financeira. “Para trazer empresas e gerar empregos precisamos conceder incentivos fiscais, mas não conseguimos, porque faltaria recursos para resolver os problemas da cidade”, afirma. No caso de Nova Veneza ainda não haveria o benefício de ter linhas dentro da cidade, por não ter a necessidade.

Nerópolis aprova nova organização

O prefeito de Nerópolis, Gil Tavares (PRB), afirma que já vem discutindo com a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) a criação de linhas internas no município e isso vem sendo impedido justamente por ter a rede metropolitana e a tarifa única. Mesmo que se possa ter aumento no valor da tarifa para o deslocamento até a capital, Tavares apoia a medida.

“Aqui ninguém preocupa muito com o valor metropolitano, importante seria ter uma linha interna de baixo valor”, diz. Ele alega que a proposta veio do setor produtivo do município que entende que ela possa fortalecer o comércio local e gerar emprego. “É horrível ter uma cidade dormitório, o comércio local é prejudicado. Nós queremos que as pessoas daqui fiquem em Nerópolis.”

Fonte: O Popular