Goiânia: Obra parada do BRT divide espaço com o comércio informal

Em frente ao Terminal Rodoviário de Goiânia, vendedores ambulantes se amontoam, cada vez mais, na obra do BRT Norte-Sul, corredor preferencial de trânsito rápido para transporte coletivo entre a Região Noroeste de capital e Aparecida de Goiânia, paralisada há três meses. Principalmente nos finais de semana, o local tem se tornado um puxadinho em situação irregular da tradicional Feira Hippie, como verificou ontem a reportagem do POPULAR.

A falta de fiscalização da Prefeitura agrava ainda mais o problema e atrapalha a circulação de pedestres. “Aqui não tem como nem a gente andar direito”, reclama a dona de casa Edivânia Soares, de 53 anos, que foi à rodoviária para comprar uma passagem de ônibus. “O pessoal tem de voltar a obra logo aqui”, emenda ela, reclamando da paralisação dos trabalhos. Desde novembro, os profissionais estão sem trabalhar. Falta dinheiro, como mostrou o jornal na edição de quinta-feira.

Vendedores ambulantes dizem que usam o local por causa da falta de oportunidade de emprego formal. “A gente precisa se virar do jeito que pode. É melhor trabalhar que roubar”, acentua Josué Silva, de 29, que vende água mineral e tem uma banca de balinhas. “A paisagem com este concreto parado fica muito mais feia”, ironiza ele.

Uma vendedora ambulante que não quis se identificar diz que migrou para a frente da rodoviária assim que percebeu que o trecho da obra estava paralisado. “Aqui tem fluxo o dia todo, todos os dias, por causa da rodoviária”, observa, para acrescentar: “No final de semana, é ainda melhor porque tem o público da Feira Hippie e vem gente de muita parte do País comprar aqui”. Antes ela trabalhava na Avenida Goiás, no Centro.

Trânsito

O aumento do fluxo de compradores também provoca mais congestionamento no trânsito. No trecho próximo à antiga estação ferroviária, na Praça do Trabalhador, bem perto da rodoviária, a obra do BRT é usada como estacionamento. Motoristas aproveitam a falta de sinalização e estacionam carros de todos os tamanhos, nos dois lados do corredor inacabado.

“Durante a manhã de ontem, a reportagem não identificou nenhum fiscal da Prefeitura no local. A poucos metros dali, havia duas equipes da Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMT), multando os veículos estacionados em locais proibidos, na região comercial da Rua 44, no outro lado da rodoviária.

O secretário de Planejamento, Agenor Mariano, diz que está reestruturando a pasta. “Tem 20 dias que assumimos. De 22 carros da secretaria, só cinco funcionam e com pneus careca. Estamos fazendo levantamento de pessoal e estrutural para retomar a fiscalização. Não vamos aceitar a clandestinidade.” “Muitos servidores estão de férias, que não foram revogadas. Revogamos as licenças-prêmio”. A data de retomada da obra segue indefinida.

Fonte: O Popular