DF: Mobilidade fora dos trilhos

Em sua campanha ao governo do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB) prometeu aos brasilienses um mundo de deslocamentos sobre os trilhos, com expansão do metrô, construção de linhas de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e um trem de passageiros para Goiânia. Chegada a metade do mandato, porém, a realidade sente o peso da crise de arrecadação e essas promessas se tornam, nas palavras do gestor da área, uma “semente para o futuro”.

O governo já admite que o VLT não sai mais, espera por uma improvável ajuda do governo federal para comprar trens e construir mais cinco estações de metrô e se apega no plano mais realista - o de concluir três estações abandonadas na Asa Sul – e mesmo para isso falta verba.

VLT para o futuro

O VLT, solução de transporte urbano muito utilizada na Europa, por exemplo, está nos planos do GDF desde o governo de José Roberto Arruda (2007-2010) e foi prometido como obra do legado da Copa do Mundo de 2014, mas segue longe de sair do papel.

A atual gestão prometeu três linhas, uma passando pela W3 Norte e Sul, indo até o Aeroporto JK; outra circulando no Eixo Monumental, incluindo a Esplanada, e outra ligando o Condomínio Sol Nascente, em Ceilândia, à Avenida Hélio Prates, em Taguatinga.

O presidente da Companhia do Metropolitano do DF e maior incentivar do transporte sobre trilhos no governo, Marcelo Dourado, é quem admite, com pesar, que esses planos terão de esperar. “Lançamos, há 40 dias, a licitação para o projeto do VLT no Eixo Monumental. São obras que demoram e a gente fará os estudos para quem estiver lá na frente e tiver um mínimo de bom senso”, afirma ele. O governo não tem ainda estimativa do custo das obras.

Metrô para o futuro

A última estação do Metrô inaugurada no DF foi a do Guará, em 2010. Desde então, a expansão tem ficado na promessa. O governo Rollemberg tem planos de fazer uma expansão de 10 km, com mais duas estações em Ceilândia, duas em Samambaia e a primeira da Asa Norte, como previsto no mapa acima.

O problema é que a obra está orçada em R$ 720 milhões e o dinheiro teria de vir do governo federal, que também passa por dificuldades orçamentárias. “É difícil. O que defendo é que a gente tente outras formas de financiamento, com Banco do Brasil, Banco Mundial ou BNDES, se não sair esse dinheiro federal”, avalia Dourado.

Trem goiano para o futuro

Outra promessa que Rollemberg não deve conseguir tirar do papel é o transporte ferroviário entre Brasília e Goiânia. Esse projeto depende pouco do GDF, que pode, no máximo, pressionar a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para agilizar um processo que vem se arrastando. O órgão concluiu em maio do ano passado um estudo de viabilidade técnica do projeto, que foi aberto a consultas e sugestões da sociedade e de possíveis interessados em tocar a obra.

“As contribuições recebidas indicaram a necessidade de realização de estudos complementares previamente à condução de processo de outorga (licitação)”, informou a ANTT, por nota. “A ANTT está avaliando e buscando alternativas para a realização dos referidos estudos complementares, visando à uma futura licitação”, conclui o órgão, sem falar em prazos.

Fonte: Jornal Metro Brasília