DF: Levantamento do G1 que mostra promessas de Rollemberg ignora que Bilhete Único já existe

Urbi - 330957
Por Rafael Martins

Levantamento do G1 publicado publicado na última sexta-feira (30); revelou quais das promessas do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) contidas em entrevistas ao portal e também do seu plano de governo, foram cumpridas nos dois anos frente ao Palácio do Buriti. Na área da mobilidade, nenhuma das ações foram cumpridas, porém há um equívoco em uma delas.

O Bilhete Único consta como uma promessa de Rollemberg, e foi a principal bandeira de sua campanha em transporte frente à tarifa de R$ 1,00 do candidato Jofran Frejat, na corrida para o Buriti em 2014.


A imprensa, bem como a própria equipe de Rollemberg talvez não saibam ou desconhecem que o Bilhete Único já existe no Distrito Federal. O Bilhete Único nada mais é que uma marca criada e implantada em 2004 em São Paulo para a chamada tarifação temporal ou integração temporal. O marketing paulistano bem sucedido fez o nome se popularizar para outras capitais, porém bilhete único e tarifação temporal são a mesma coisa.

Na capital federal, a efetivação da tarifação temporal coincide com a entrega da nova frota licitada na gestão de Agnelo Queiroz, em 2013. O Decreto nº 34.495 de 27 de junho de 2013, instituiu a integração temporal no novo modelo de transporte recém licitado. A medida em que os novos ônibus entraram em circulação, o benefício foi expandindo e se consolidando.

Segundo o decreto:

- "a integração tarifária consiste em proporcionar desconto na tarifa aos usuários que realizarem viagens utilizando um ou mais modais de transporte. O benefício vale entre os ônibus (seja de empresas ou de cooperativas) e o Metrô"

- "Será considerada viagem integrada quando forem feitos até 2 transbordos pelo usuário, independentemente dos modais utilizados, um subsequente a outro, em um único sentido"

- "Somente será considerada viagem integrada aquela que tiver um intervalo máximo de 2 horas entre as utilizações do cartão"

- "Só haverá desconto em viagens integradas quando forem utilizados, como forma de pagamento da tarifa, os cartões Vale-Transporte, Cidadão e Bilhete Único"

- "A tarifa máxima da viagem integrada será equivalente à tarifa integral Metropolitana 2, que, atualmente, é de R$ 5"

Hoje a integração temporal brasiliense é aberta e multimodal. Isto significa que em qualquer ponto do Distrito Federal eu posso realizar o transbordo pagando uma tarifa única, cujo valor máximo é R$ 5,00. Ela é multimodal, pois permite integração entre os ônibus do serviço convencional e cooperativas, TCB, o BRT Sul e o Metrô; desde que seja em sentido único respeitando o prazo de 2h.

Portanto não há o que se falar em implantar o bilhete único. O que faz-se necessário é modernizar a bilhetagem eletrônica, que é a mesma desde 2007 quando ainda era a Fácil quem geria. Como o GDF quer estancar a sangria dos subsídios crescentes, o primeiro passo é modernizar o sistema com a implantação de biometria. De acordo com o programa Circula Brasília, a modernização deveria ter sido concluída em novembro de 2016.

Com exceção ao pagamento em dia as empresas de ônibus, as demais promessas de Rollemberg são investimentos em longo prazo, como prevê o Circula Brasília; uma versão atualizada do Brasília Integrada. Veja a lista com as ações e o cronograma do programa Circula Brasília.