DF: Distritais querem saber para onde vai dinheiro do transporte

Deputados que compõem o grupo de trabalho que discute alternativas ao reajuste das passagens do transporte público voltam a se reunir hoje para discutir as sugestões que já foram apresentadas. Ponto principal da pauta de hoje é a abertura das contas da Secretaria de Mobilidade. Depois que o deputado Wasny de Roure (PT) apontou que o governo paga as gratuidades pela tarifa técnica e não pela tarifa usuário, como deveria ser, os parlamentares discutem as contas da pasta. E querem ter acesso a elas para entendê-las.

“Estamos avaliando o melhor caminho para pedir a abertura das contas da Mobilidade. Vamos discutir se fazemos uma indicação ou um projeto de lei”, explica o deputado Cláudio Abrantes (Rede), que coordena o grupo de trabalho. “Por conta da Lei de Acesso à Informação, isso já deveria estar disponível. Recebemos várias reclamações sobre as dificuldades para ter acesso às planilhas”, relata o parlamentar.

No dia do lançamento do grupo, na semana passada, todas as pessoas que se manifestaram, diz o deputado, reclamaram da falta de acesso aos números. “As contas da Mobilidade devem ser públicas, transparentes”, observa. “Sabemos que não é uma planilha simples de analisar, mas o fato de não estar disponível é um problema”, destaca Abrantes.

É no gabinete dele que se reúnem os técnicos da Câmara Legislativa e os deputados Wasny e Israel Batista (PV) para debaterem um pré-relatório que a equipe técnica elaborou. “Foram levadas em conta as considerações finais da CPI do Transporte e a análise de números. Vamos começar o debate por aí”, explica.

Três caminhos

O grupo de trabalho tem pouco tempo, já que os deputados foram convocados para uma sessão na quinta-feira, quando deve ser apresentado um relatório dos estudos do grupo. O objetivo é apresentar sugestões ao governo e suspender, via decreto legislativo, o aumento das passagens de ônibus e metrô. “Já tivemos excelentes sugestões no grupo de trabalho, como a revisão da gratuidade, não no sentido de acabar com ela, mas mudar a forma como as empresas estão cobrando do governo”, informa o presidente da Casa, deputado Joe Valle (PDT).

Zona azul: R$ 1 bilhão por ano

Uma proposta já apresentada pela Associação Comercial do DF ao governo é uma das sugestões consideradas pelo grupo de trabalho: a implementação da zona azul, com estacionamento pago nos principais centros comerciais do Distrito Federal. Pelas contas do presidente Cléber Pires, o governo deixa de arrecadar R$ 1 bilhão por ano. “O estacionamento rotativo disciplina o trânsito, traz recursos para o Estado, além de capacitar e empregar os flanelinhas”, explica.

O projeto foi entregue à equipe do governador Rodrigo Rollemberg dois anos atrás, conforme Pires: “Esse governo é um governo que eu quero que dê certo, mas falta gestão. Eles sabem simplesmente fazer contas, tudo de forma técnica. E o setor produtivo é dinâmico”.

Ele cita que o comércio também tem sido prejudicado cada vez mais por falta de estacionamentos em áreas centras, como o Setor Comercial Sul, onde o zona azul poderia chegar primeiro. “Se tiver boa vontade, em 90 dias, o governo consegue colocar em funcionamento. Os estudos estão prontos”, aponta o presidente.

Reuniões

Até quinta-feira, quando o projeto de decreto legislativo deve ser apreciado, o grupo de trabalho se reúne pelo menos mais três vezes: além de hoje, os deputados e técnicos da Casa se encontram na quarta e na quinta-feira pela manhã. “Vamos apresentar muitas soluções interessantes ao governador para que a gente melhore a qualidade de vida das pessoas”, promete Joe Valle.

Fonte: Jornal de Brasília