DF: Aumento de passagens expõe problemas do transporte público

A conta da má gestão do transporte coletivo do Distrito Federal chegou ao bolso do consumidor. O reajuste nas passagens de até 25%, anunciado pelo governador Rodrigo Rollemberg no último dia útil de 2016, acirrou os ânimos, gerou conflitos entre os poderes Executivo e Legislativo e protestos da população. Enquanto o governo local alega que não consegue sustentar as gratuidades do sistema — atualmente, a cada três viagens, uma é paga pelo Estado —, os usuários reclamam da qualidade do serviço e da falta de implementação do bilhete único e da integração entre ônibus e metrô. Por fim, os empresários contabilizam dívida de R$ 195,4 milhões não paga pelo GDF.

Segundo dados da Secretaria de Mobilidade, a alta vai gerar uma economia de R$ 180 milhões anuais, valor insuficiente para quitar os débitos com as empresas. Na opinião de especialistas, isso não justificaria o desgaste de Rollemberg com o eleitorado e com parlamentares. O gasto anual do governo é de quase R$ 1 bilhão, o correspondente a 48,40% da receita das companhias de transporte. Com o reajuste aplicado em 2017, a expectativa é de que o índice caia para 42,68%. O Executivo culpa as gratuidades previstas em lei para não diminuir o valor pago pelas tarifas e justifica que, em tempos de crise fiscal, o importante é economizar. “Qualquer valor é significativo. É preciso reinvestir no sistema e evitar o colapso”, justifica o secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno.

O especialista em mobilidade urbana da Fundação Getulio Vargas Edmilson Varejão rebate: “O transporte coletivo é subsidiado em muitas cidades do mundo, e isso não é um problema em si. A questão é que, em muitas localidades, por uma questão meramente política, os preços das passagens ficaram congelados e, agora, com a crise, o subsídio se tornou pesado. Por isso, o Brasil precisa analisar com atenção o reajuste”, afirma. Atualmente, o sistema de transporte público do DF é um dos mais deficitários do país. A operação do metrô, por exemplo, custou, em 2016, R$ 341 milhões, e a empresa conseguiu gerar R$ 148 milhões com a bilheteria. No caso dos ônibus, a desproporção é um pouco menor, mas a participação do Estado é significativa: em 2016, do R$ 1,3 bilhão em receita, 51,6% veio da venda das passagens. Por isso, o excesso de complementação do Estado, que paga a gratuidade de estudantes, idosos e deficientes, e a diferença de preço dos usuários comuns, chamada de tarifa técnica.

Fonte: Correio Braziliense