DF: Empresas de ônibus dizem ter mais de R$ 203 milhões a receber do governo

Levantamento das empresas de ônibus do Distrito Federal aponta que as dívidas antigas do Palácio do Buriti com o setor atingem a cifra de R$ 203 milhões. Segundo os empresários, corresponde a 48% da arrecadação e é necessário para bancar gratuidades, como o Passe Livre Estudantil e a passagem de portadores de necessidades especiais.

A Secretaria de Mobilidade diz reconhecer uma dívida menor de R$ 128 milhões. Segundo o órgão, os débitos de 2015 só serão pagos no ano que vem, e as faturas de 2016 estão em dia até o mês de setembro.

Nos cálculos dos empresários, o valor da dívida mais do que triplicou em relação a 2014, quando o patamar estava calculado em R$ 52 milhões. No ano passado, esse valor chegava a R$ 140 milhões, de acordo com a associação. Com isso, as empresas dizem estar sem dinheiro para pagar o financiamento dos ônibus, o combustível e o 13º salário dos rodoviários – previsto para a semana que vem.

“(Essa dívida) traz uma insegurança enorme. Esse volume, somado ao acréscimo de despesas que vão ocorrer nos próximos meses, faz com que haja um anuncio de colapso do sistema de transporte urbano de Brasília”, disse o presidente da Associação das Empresas de Transporte público e coletivo do DF (Transit), Barbosa Neto.

Dívida pública

O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, afirmou à TV Globo nesta segunda que, considerando apenas os últimos três meses, os atrasos já atingem cerca de R$ 40 milhões. Não há prazo definido para que esse valor seja depositado às empresas.

“Nós temos um residual de outubro ainda para pagar, em torno de R$ 40 milhões. Novembro nós não consideramos em dívida, já que, ao longo de dezembro, pagamos o mês anterior. E nós temos que esperar o mês de dezembro acabar para saber se efetivamente vai ser transferida uma dívida ou não”, declarou.

As dívidas do governo do DF com fornecedores e prestadores de serviço não estão apenas no setor de transportes. Há contratos de segurança e serviços gerais atrasados desde setembro, no valor de R$ 55,9 milhões. Na saúde pública, as faturas pendentes de 2015 somam mais de R$ 80 milhões.

Além de todo o passivo contraído na atual gestão, o Palácio do Buriti ainda precisa quitar dívidas feitas pelo ex-governador, Agnelo Queiroz, e que não foram pagas até dezembro de 2014. Nesta segunda, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão afirmou que esse montante – conhecido na contabilidade como "dívidas de exercícios anteriores" – está em R$ 1,2 bilhão.

Fonte: G1 DF