Goiânia: Trecho norte do BRT vai ficar para próximo ano


Era uma promessa: terminar a metade do BRT Norte-Sul ainda durante o mandato do prefeito Paulo Garcia (PT). A previsão continua, mas já não tão firme, como o tempo e clima, utilizados como um dos motes que podem prejudicar o cumprimento da obra no prazo. O período chuvoso pode deixar que o próximo prefeito, Iris Rezende (PMDB), fique encarregado de finalizar o trecho norte do corredor exclusivo. Além disso, outro problema admitido pela atual gestão são os atrasos dos repasses financeiros da Caixa Econômica Federal, que é a instituição financiadora da obra, ao custo de R$ 242,4 milhões.

Para quem passa por toda a extensão norte da obra, há muita dúvida de que a previsão de entrega vai ser cumprida. Ontem, por exemplo, a reportagem do POPULAR esteve no local pela manhã e à tarde, duas vezes, e não encontrou qualquer funcionário do consórcio BRT Norte-Sul em toda a extensão entre a Praça do Trabalhador e o Terminal Recanto do Bosque. Apenas por volta das 15 horas, dois trabalhadores caminhavam pelo corredor central na Avenida Lúcio Rebelo, no Setor Recanto do Bosque, mas eram dois fiscais da Prefeitura que analisavam a obra do corredor.

Pela manhã, apenas o segurança da obra no Terminal Recanto do Bosque estava no local, sem qualquer movimentação nos materiais e maquinário. No canteiro de obras na Avenida Goiás, não se via permanência de trabalhadores, mas sim muitas máquinas e caminhões estacionados nos espaços. Nem nas tendas montadas para descanso dos funcionários havia gente ou equipamentos. Assim mesmo, a Prefeitura diz que a obra está em andamento, mesmo que em ritmo reduzido.

Na extensão do BRT Norte-Sul, especialmente na Avenida Goiás Norte, a pista central que deveria estar tomada pelos trabalhadores de construção civil está sendo ocupada por comerciantes e ambulantes, que aproveitam o espaço para expor seus produtos. Já na região do Setor Recanto do Bosque, há obras iniciadas nas calçadas que, caso não sejam concluídas, podem deteriorar as entradas das residências e comércios, já que foram retirados os meios-fios e há desgaste do solo com as chuvas e passagem dos carros.

Ritmo

Segundo apurou a reportagem, junto a funcionários da obra, na última semana houve uma redução drástica no número de pessoal contratado, que antes era de aproximadamente 500 profissionais e hoje estaria em menos de 30. A informação é que não se consegue mais terminar o trecho norte da obra neste ano, nem mesmo se houvesse o pagamento em dia dos repasses que estão em atraso desde o mês de agosto.

Existem áreas na região do Terminal Recanto do Bosque, especialmente na Avenida Oriente, em que é necessária a duplicação da via, mas não foi feita a desapropriação das residências. A Prefeitura informa também que “os processos de desapropriação das áreas estão avançados e serão finalizadas em 2017”. Mas que este processo “não interfere no atual andamento da obra”.

O POPULAR apurou que a tendência agora é fazer um esforço nestes últimos 50 dias para que se faça obras de modo a terminar o que foi iniciado no sentido de não atrapalhar o andamento comum da cidade, como a movimentação de moradores.

Dívida com consórcio já seria de R$ 14 milhões

A dívida da Prefeitura e da Caixa Econômica Federal seria de cerca de R$ 14 milhões, calculados os repasses que deveriam ser feitos regularmente desde agosto e não vem sendo cumpridos. Em nota, a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) afirma que “os repasses financeiros para o consórcio, que são de responsabilidade da Caixa Econômica Federal, não estão sendo feitos na sua integralidade desde agosto”, o que gerou a redução do ritmo da obra. Já a contrapartida da Prefeitura estaria, sim, em dia. A reportagem do POPULAR não conseguiu resposta da instituição financeira, até o final da tarde de ontem.

O prefeito Paulo Garcia (PT) recorreu ao governador Marconi Perillo (PSDB) e à senadora Lúcia Vânia (PSB), no final de outubro, para que ambos intercedessem junto ao governo federal para garantir os repasses. Eles entraram em contato com o ministro de Cidades, Bruno Araújo (PSDB), que teria garantido os recursos. Até a última terça-feira, no entanto, não havia ocorrido a transferência.

O dinheiro corresponde a R$ 5 milhões que seria a parte da Caixa na dívida. O POPULAR apurou que o restante, no montante de R$ 9 milhões, é dinheiro originário da Prefeitura que não estaria sendo pago, mas o Paço nega.

Corredor T-7 também aguarda

As obras do Corredor T-7, segundo o diretor técnico da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Domingos Sávio Afonso, continua em andamento e não sofre, nesse momento, qualquer problema financeiro, embora tenha passado por dificuldades em relação à burocracia para conseguir os termos de ajustes. Até por isso, Afonso prefere não estimar uma data para a entrega da obra, mas já está certo que não será finalizada no mandato do prefeito Paulo Garcia (PT).

A obra já consta como totalmente finalizada no trecho da Avenida Gercina Borges. A ciclovia foi concluída entre a Praça Cívica e a Praça do Cigano, via Assis Chateaubriand. Há um trecho entre a Rua 9 e a T-7 em que são necessários reparos pontuais. Na última semana, foi concluído o pavimento entre as avenidas Itália e Belo Horizonte.

Na obra foi priorizada a pavimentação, que tem 80% de conclusão, os trechos cicloviários e a drenagem. Por serem modificações que já podem ser entregues de imediato à população. Em dezembro, será feita a sinalização horizontal das vias que foram pavimentadas, assegura.

Fonte: O Popular