Goiânia: Concurso da Metrobus suspenso e candidatos sem saber qual caminho seguir

Mais de dois meses depois do anúncio da suspensão do concurso da Metrobus Transporte Coletivo, candidatos têm dúvidas se devem esperar novo edital ou buscar o dinheiro investido na inscrição. A interrupção do andamento do processo foi anunciada em setembro e até hoje não há previsão para ser retomado. O prazo anunciado pela empresa foi de 90 dias, que se encerra em dezembro.

Segundo nota enviada pela empresa que faz a gestão da maior linha de ônibus da capital, estudos ainda são realizados para adequar a seleção às novas demandas e ainda não há certeza sobre novidades do processo. A empresa argumenta que não há previsão de cancelamento do certame.

A jornalista Cynthia Costa fez a inscrição para concorrer a uma das vagas de assistente administrativo. Ela se lembra que soube da interrupção do processo pela televisão. “De lá para cá, não soube de mais nenhuma atualização. Se for adiar por mais tempo, quero pegar meu dinheiro de volta.”

O auxiliar de escritório Júlio Nascimento de Sousa também quer reembolsar os R$ 80 que investiu na inscrição. “Eu paguei para tentar uma vaga. Se não vai ter seleção, não podem ficar com meu dinheiro.” Os candidatos que se inscreveram para cargos de nível superior pagaram R$ 90.

A empresa responsável pela realização do concurso, o Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo (Ibade) informa que a suspensão do concurso atende solicitação da Metrobus e que o edital passa por revisão. Esclarece, também, que qualquer solicitação relativa a inscrição só será analisada ou processada após a definição do certame no prazo estabelecido, tudo em consonância ao item 4.7 do edital nº 001/2016.

Isso significa que, até o final dos 90 dias, pedidos para reanálise do edital, os candidatos ainda não têm direito a buscar o valor pago pela inscrição. No edital que passa por revisão, havia previsão de 238 vagas para profissionais de diversos níveis de escolaridade, do fundamental ao superior. Os salários variavam entre R$ 1,1 mil e R$ 7,4 mil. Com a revisão, algumas vagas previstas no documento podem ser canceladas.

Crise motivou revisão do edital

A crise financeira pode ser um dos motivos para a revisão do edital do concurso da Metrobus, suspenso desde setembro. A coluna Giro de ontem, assinada pelo jornalista Jarbas Rodrigues, anunciou que a empresa que faz a gestão da linha que percorre o Eixo Anhanguera será privatizada em breve. Segundo a coluna, o governo estadual deve ficar como sócio-minoritário na operação da linha. Afirma, ainda, que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) vai avaliar o valor da concessão da linha, mas o Estado deve receber mensalmente R$ 2 milhões.

A empresa não confirmou, mas a revisão no concurso deverá suspender vagas anunciadas justamente por causa dos cortes de gastos que deverão ocorrer antes da privatização.

Em dezembro do ano passado, o governo goiano refutou qualquer possibilidade de privatização. À época, a Metrobus informou que apenas passaria a participar do Consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), o que já é comum às outras concessionárias. A nota enviada à imprensa no ano passado dizia, também, que a empresa enfrentava desafios como alto custo operacional, que afetavam o caixa, e que havia a necessidade de novos investimentos e que planejavam parcerias com o setor privado, mas que continuaria à frente do serviço de transporte.

Fonte: O Popular