DF: GDF notifica Pioneira por corte de linhas de ônibus em São Sebastião

A Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal notificou a Viação Pioneira nesta quinta-feira (16) pela suspensão de cinco linhas de ônibus em vias de São Sebastião. A empresa adotou a medida no dia 10 de novembro, depois de ter dois veículos queimados por moradores em uma área ocupada do Morro da Cruz, alvo de ações de reintegração de posse executadas pela Agefis e a Polícia Militar ao longo da última semana.

Ao G1, a Viação Pioneira informou que recebeu a notificação e disse que os ônibus voltaram a rodar no Jardim Botânico e na região dos condomínios nesta quinta-feira – as linhas saem do terminal de São Sebastião.

Os coletivos das linhas 147.7, 180.3, 183.2 E 183.7 passam pelo Jardim Botânico e seguiam para o terminal de São Sebastião. Com a intervenção da empresa, os ônibus vão somente até a DF-001, e os passageiros precisam completar percursos de até oito quilômetros a pé. Segundo a companhia, na última semana, apenas sete linhas circularam na Avenida Comercial da quadra 9 sob escolta policial.

O operador de máquinas Valentim Pagine, de 64 anos, mora em um condomínio do Jardim Botânico e há sete dias volta a pé do trabalho, no Lago Sul. “Depois de trabalhar o dia todo, tenho que fazer essa caminhada e, às vezes, arrumar dinheiro para pagar o [transporte] pirata se não quiser vir a pé”, afirma.

A líder comunitária do Jardim Botânico Margareti Soares conversou com um dos diretores da Pioneira. “Não avisaram à população, enquanto que essa invasão não tem nada a ver com o Jardim Botânico. Muito pelo contrário, o ponto final dos ônibus é no Jardim Botânico”, afirma.

A família da auxiliar de radiologia Maria da Silva tem usado serviços de mototáxi e gasta diariamente R$ 40 para chegar ao trabalho e à escola. “Nós vamos para São Sebastião e temos que esperar um ônibus lotado que vem do terminal para podermos ir ao Plano Piloto.”

Entenda o caso

A reintegração de posse foi realizada ao longo da última semana pela Agefis e Polícia Militar na região do Núcleo Rural Zumbi dos Palmares, nas chácaras 40 e 41, que pertencem à Terracap. De acordo com a Agefis, as terras "deveriam ter, no máximo, quatro edificações", mas foram loteadas em uma série de casas de alvenaria de pequeno porte.

Os moradores afirmam que compraram o direito dos lotes dos próprios chacareiros, que têm o termo de posse das terras. "A terra é cedida pelo governo para uso rural. O chacareiro não é dona dela, não pode lotear e venda-la", informa a Agefis.

A agência estimou haver 120 edificações irregulares em toda a área de 66 mil m². Na terça (8), 22 mil m² de terra foram reintegrados, após a derrubada de 11 casas. Na quarta foram demolidas 20.

Fonte: G1 DF