Goiânia: Bairros afastados dos centros das cidades sofrem com problemas de infraestrutura

“Parece que colocaram a gente aqui e esqueceram.” O sentimento por trás da frase de Rita de Cássia Maranhão, de 40 anos, moradora do Residencial Real Conquista, em Goiânia, se repete entre moradores de outros bairros afastados dos centros de grandes cidades. Rita mora na parte mais nova do bairro, cujas casas foram entregues pelo governo estadual há três anos, mas os problemas são todos parecidos: asfalto, esgoto e água, segurança, energia, mobilidade. O POPULAR visitou o bairro e outros em Aparecida (Jardim Dom Bosco I e II) e Trindade (Serra Branca), que vivem a mesma situação.

A falta de estrutura básica é queixa constante de moradores destes bairros. Especialistas e autoridades ouvidas pela reportagem falam de problemas que vão da especulação imobiliária à falta de regularização de loteamentos, passando pelo mais grave – a construção de imóveis antes mesmo da instalação de rede de esgoto e de energia, além de asfalto. A partir daí, outros problemas vão surgindo, como a dificuldade em ter ônibus e viaturas policias sempre por perto.

O professor do Instituto de Estudos Sócio Ambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e geógrafo Tadeu Arrais aponta que um dos motivos que pode ser apontado para as criações de bairros longe dos centros é a especulação imobiliária. Com loteamentos afastados, valoriza-se o espaço vazio entre a cidade e a nova região, que deverá ser preenchida. “É uma forma de valorizar os terrenos”, disse.

Arrais lembra que, uma vez instaladas as famílias em um bairro precário, fica muito difícil retirá-las e muito complicado melhorar a rede de infraestrutura. “É incrível a quantidade de fossa em Goiânia e Região metropolitana. As grandes cidades medievais resolveram isso no final do século 19. É um padrão de urbanização extremamente insalubre”, comentou.

Em Aparecida, apenas 18% dos bairros possuem rede de esgoto e 60% contam com água encanada. O Jardim Dom Bosco II e II estão duplamente fora das porcentagens.

Para a arquiteta e urbanista Carol Farias, os vazios urbanos próximos aos centros, principalmente no caso de Goiânia, permitiria facilmente a instalação de mais moradores sem a necessidade de autorizar loteamentos em regiões distantes. Isso não acontece, segundo ela, por interesses especulativos.

A secretária de Projetos e Captação de Recursos de Aparecida, Valéria Petersen, reconhece o problema e diz que a quantidade de lotes vazios em algumas regiões prejudica a ida da infraestrutura.

O secretário municipal de planejamento urbano e habitação de Goiânia, Sebastião Ferreira Leite, o grande problema de alguns bairros é a falta de regularização para, então, possibilitar a realizar de melhorias. “Se não regulariza, ninguém sabe onde é a rua ou onde vai passar a rede de esgoto”, explica.

Fonte: O Popular