DF: Odebrecht trava construção de túnel em Taguatinga

O impasse que gira em torno da construção de um túnel no centro de Taguatinga, prevista desde 2013, parece não ter fim. No mesmo ano, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) abriu licitação, mas, até agora, a obra não saiu do papel. Isso porque o consórcio vencedor do projeto vem sendo barrado na Justiça por outro grupo. Enquanto isso, resta aos moradores e comerciantes da cidade sonharem com a benfeitoria, que ligará a EPTG à Avenida Elmo Serejo por via subterrânea.

O contrato para construção do túnel foi assinado em março último, logo após homologação do processo licitatório do qual o consórcio Novo Túnel foi vencedor depois de apresentar a proposta de R$ 199,9 milhões. A partir de então, as empresas que compõem o grupo – Trier Engenharia, EPC Projetos e WVG Construções – começaram a trabalhar no projeto executivo da obra.

No entanto, em junho, o Tribunal de Contas, depois de provocado, recomendou a suspensão do contrato. O argumento usado foi o mesmo do Consórcio Túnel Taguatinga, formado pelas empresas Serveng-Civilsan e Odebrecht – esta última marcada por escândalos envolvendo corrupção -, que já havia acionado a Justiça por não concordar com o resultado da licitação, na qual ficou em terceiro lugar por oferecer R$ 37 milhões a mais.

Ainda assim, o Consórcio Novo Túnel recorreu à esfera judicial, que, em julho, manteve a paralisação dos trabalhos.

Procurada pela reportagem do Jornal de Brasília, a assessoria da Odebrecht declarou que não vai comentar o caso “por se tratar de um tema que está em discussão na esfera do Judiciário”.

Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sinesp), a pasta aguarda a decisão da Justiça para dar prosseguimento ao projeto executivo e, na sequência, poder continuar as obras. O túnel fará uma ligação subterrânea para quem segue para Ceilândia, pela via Elmo Serejo, além de uma via alternativa pela superfície para o Centro de Taguatinga.

Projeto

Com a conclusão da obra, os carros que estiverem na Avenida Elmo Serejo, sentido Plano Piloto, mergulharão pelo túnel e já sairão na EPTG. Do outro lado, aqueles que chegarem a Taguatinga pela EPTG também passarão por ele até o início da Via Estádio, saindo logo após o viaduto da Avenida Samdu. Vias marginais darão acesso às avenidas comerciais e Samdu Sul e Norte.

O valor aproximado do contrato é de R$ 200 milhões. A previsão é de que a obra seja concluída em 24 meses, após a retomada do contrato. O túnel terá 830 metros de extensão e vai contar com duas pistas paralelas, cada uma com três faixas de rolagem em cada sentido.

O centro de Taguatinga faz parte do Corredor Eixo-Oeste, que terá 38,7 km de extensão e ligará Ceilândia (Sol Nascente) ao Plano Piloto (Eixo-Monumental e Estação Asa Sul), passando por Taguatinga.

Saiba mais

A Odebrecht é alvo da operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras. Em junho de 2015, a prisão do então presidente da instituição, Marcelo Odebrecht, foi lembrada como um dos momentos importantes da investigação, assim como sua condenação. O juiz Sergio Moro considerou o executivo culpado por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa e o sentenciou a 19 anos de prisão. Para o magistrado, as investigações comprovaram pagamentos mais de R$ 113 milhões em propinas.

Difícil de sair do papel

Nas ruas, a opinião sobre a demora no prosseguimento do projeto é unânime. Para Éder Alexandre de Lira, 34, a construção é uma promessa que nunca sai do papel. Gerente de uma loja de roupas no centro da cidade, ele lista os benefícios esperados: “O túnel desafogaria o trânsito, além de facilitar o acesso de clientes e funcionários ao comércio. Mas é um projeto que precisa começar logo, não vejo nenhuma ação”.

O assistente de uma loja de bijuterias Junior Honias, 35, pensa que a criação do túnel vai ampliar o movimento. “É claro que a população vai passar por transtornos no período de obras, mas temos que pensar nos benefícios que virão. É uma benfeitoria importante, que vai trazer mais clientes”, opina.

Morador de Águas Lindas, Junior lamenta o fato de o projeto não ter sido iniciado por um impasse na licitação. “Não podemos ser prejudicados por causa de uma empresa que está envolvida em escândalos”, declara. A aposentada Nilda Braz de Queiroz, 71, também destaca o impasse. “O mau do Brasil é esse. As instituições só querem saber de colocar dinheiro no bolso, não pensam no povo”.

Fonte: Jornal de Brasília