DF: GDF anuncia auditoria no transporte para outubro, mas nega busca por irregularidades

Quase cinco meses após o fim da CPI do Transporte, investigação na Câmara Legislativa que apontou sérias ilegalidades na licitação que definiu as empresas de ônibus hoje atuantes no DF, a Secretaria de Mobilidade planeja começar em outubro uma auditoria independente nos contratos. Segundo o secretário da pasta, Fábio Damasceno, porém, o objetivo não é procurar “irregularidades”, mas rever os custos do transporte, atualmente em torno de R$ 43 milhões por mês.

“A auditoria vai reavaliar todo o contrato. A CPI ajuda em alguns aspectos, mas queremos mesmo apurar os custos do sistema”, ameniza o secretário. O prazo para conclusão será de seis meses.

Além da CPI, que pediu indiciamento de vários personagens que atuaram no contrato, de 2012, corre na Justiça o processo de suspensão da licitação, determinado em janeiro deste ano pelo juiz Lizandro Gomes Filho. O GDF recorreu para rever a decisão.

Custos

As cinco empresas de ônibus recebem do governo um subsídio para complementar os custos de funcionamento – chamado de tarifa técnica. Em julho deste ano, a secretaria publicou no Diário Oficial os resultados de um trabalho conduzido por técnicos da pasta, com o objetivo de enxugar os gastos. Chamado de realinhamento tarifário, o estudo levou em conta quilometragem e quantidade de passageiros atual de cada empresa. Houve redução em parte das tarifas técnicas, o que resultou numa economia média de 5,5% por mês – em torno de R$ 60 milhões ao ano.

Em junho, porém, o governo havia dado reajuste de 8% às empresas, correspondente ao aumento anual e obrigatório pelo contrato. Na prática, o valor mensal voltará a ser, mais ou menos, o que era antes do aumento – aproximadamente R$ 43 milhões/mês.

Para Damasceno, no entanto, os dois valores não devem ser comparados, porque foram duas reduções ‘diferentes’. “Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O reajuste anual foi para recomposição da inflação, do diesel que subiu, por exemplo. O realinhamento tarifário foi um estudo novo que fizemos”, explica.

As empresas que tiveram corte maior, de 17%, foram justamente as duas que mais recebem: a Marechal e a Pioneira. Com a nova revisão, a Urbi e a Expresso São José, por outro lado, tiveram novo aumento, o que equilibrou os valores. “Elas tiveram aumento porque a demanda subiu”, frisou o secretário.


Fonte: Jornal Metro Brasília