DF: Dia Mundial sem Carro - Ainda falta qualidade para fazer a ideia pegar no DF

Optar pelo transporte público ou bicicleta para se locomover pela cidade é uma atitude sustentável e saudável. Mas, no Distrito Federal, será que essa iniciativa pode ser considerada simples? Neste Dia Mundial sem Carro, celebrado hoje, quatro profissionais do Jornal de Brasília relatam suas impressões sobre os sistemas de ônibus e metrô da capital federal.

“As pessoas que precisam do transporte público todos os dias podem ser consideradas guerreiras, pois é realmente uma luta diária”, relata a estagiária Rosana Jesus, usuária frequente dos coletivos. Ontem, os trajetos percorridos por ela envolveram atraso dos itinerários e acidentes de trânsito.

“Cresci com os coletivos como primeira, e, às vezes, única opção. Moro em Ceilândia, a cerca de cinco quilômetros da estação mais próxima do metrô, o que de cara descarta a possibilidade de utilizá- lo”, diz a repórter Jéssica Antunes. Para ela, “problema maior é quando o ônibus não passa ou quebra”.

O JBr. já mostrou que o transporte público reúne a maior parte das reclamações na Ouvidoria do DF neste ano, somadas as queixas do DFTrans (5.793 ou 14,50%) e Secretaria de Mobilidade (5.140 ou 12,96%). Ambos perdem apenas para a Saúde (8.472 ou 21,20%).

Não bastasse a insatisfação do usuário, o sistema do DF é alvo de ação judicial que constatou fraude na licitação que dividiu as linhas de ônibus em cinco bacias. O governo segue tentando reverter o jogo no Tribunal de Justiça.

Vagas fechadas no SCS

Apesar de todas as dificuldades, o Governo do DF faz, hoje, uma ação em alusão ao Dia sem Carro. Para isso, fechará 150 vagas do Setor Comercial Sul, uma das áreas mais problemáticas quando o assunto é estacionamento – 150 mil pessoas circulam na região por dia. O espaço, na Quadra 6 – próximo à via W3 –, será reservado para uma série de atividades, como oficinas para ciclistas, empréstimo de bicicletas e apresentações tecnológicas. A programação vai das 7h e às 22h.

Para chegar ao local, o usuário poderá ir de carro até o estacionamento 13 do Parque da Cidade e pegar a linha 109.7, da Piracicabana. Dois ônibus estarão disponíveis das 7h30 às 22h e passarão a cada 20 minutos com tarifa de R$ 2,25.

O objetivo, segundo o secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, é estimular a reflexão sobre o uso excessivo do automóvel. “Queremos incentivar o transporte coletivo e a mobilidade ativa”, disse, ao explicar que mobilidade ativa se trata da que é feita pela própria pessoa, como andar de bicicleta ou a pé.

O local ainda terá atrações como food trucks e apresentações artísticas, estandes com serviços das secretarias de Saúde e do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, do Detran e do Departamento de Estradas de Rodagem do DF, além de uma área para a ouvidoria do Governo de Brasília.


Fonte: Jornal de Brasília