Goiânia: “Se eu pudesse, deixaria o ramo de transportes”

Empresário antigo do ramo de transportes, Haile é dono de empresas como a HP Transportes Coletivos, que opera no transporte público de Goiânia.

Como começou a sua trajetória no segmento de transportes?

Estou desde 1969. Comecei no transporte de passageiros aqui em Goiânia. Na época, a empresa era a Santa Luzia, que fazia, basicamente, o transporte entre Goiânia e Campinas. Eu que a criei. Já mexia com automóveis. Fui eu que abri a Avenida T7, com lojas de veículos. Era muito jovem ainda [hoje tem 80 anos] e queria me aventurar na vida. A empresa acabou, anos depois, e eu voltei com a HP, que até hoje está no transporte público da capital.

Como avalia o cenário hoje?

Olha, é um ramo muito difícil. Estamos em queda de demanda. Perdemos cerca de 15% de usuários. Sem contar que o sonho de todo mundo hoje é ter um carro ou uma moto e o trânsito vai ficando pior. Os investimentos são maiores, mas o rendimento é menor. O transporte não é rentável hoje em lugar nenhum.

Se não é rentável, porque então continua no segmento?

Eu deixaria o segmento, se eu pudesse. O problema é que o passivo trabalhista nosso é muito grande. Não existe lucro em transporte. Se você quiser isso aqui, eu te passo, porque o passivo trabalhista é enorme. Tenho 1,2 mil empregados. Não tem como sair de repente e não se pode mudar de ramo há todo momento. Existem contratos para cumprir. Tem de continuar investindo. Mas eu mexo com outras coisas rentáveis. Sou produtor de leite há 40 anos.

Por isso as empresas solicitam o reajuste tarifário?

As empresas não brigam por reajuste de tarifa. As empresas brigam por melhoria de serviço. No mundo todo é assim. A coisa que o empresário mais gosta na vida é de comprar ônibus. O que acontece é que o empresário não manda no negócio. Quem manda é o governo. Somos apenas prestadores de serviço. Temos de ter condições de rodar e ter motoristas treinados, mas a política de transporte é do governo. Se ele não me der o reajuste, eu vou ficando cada vez mais descapitalizado.

O relacionamento político ajuda a se inserir no mercado?

Tem só uma maneira de entrar no transporte, que é por meio de concorrência pública. Hoje existe o consórcio das empresas. Eu não vou à Prefeitura, não vou a lugar nenhum. Quem representa o segmento é o Setransp.

Já pensou em investir em transporte intermunicipal?

De jeito nenhum. Graças a Deus, não. A concorrência é muito desleal, a fiscalização é falha, com vários ônibus piratas circulando. Acontece muito. Todas as empresas correm para trás.

Fonte: O Popular