Goiânia: Grupos do transporte de passageiros em crise

A visão de que o segmento de transportes é sinônimo de lucro certo parece não se confirmar nos dias de hoje. Grupos grandes e tradicionais - até pouco tempo, resistentes às adversidades econômicas - estão em situação delicada, reduzindo a presença no mercado e recorrendo à Justiça para evitar o pior. De 22 empresas sindicalizadas no Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário Intermunicipal e Interestadual de Passageiros do Estado de Goiás (Setrinpe/GO), nove estão em recuperação judicial, sendo que oito destas pertencem a dois grupos fortes: o Grupo Odilon Santos e o grupo da Nacional Expresso.

Em abril deste ano, o Grupo Odilon Santos surpreendeu ao comunicar o pedido de recuperação judicial, que envolve empresas como: a Rápido Araguaia, uma das que possuem concessão para operar o transporte público de Goiânia; a Transbrasiliana, a Rápido Marajó, Viação Goiânia e a Viação Araguarina, responsável desde a década de 1950 pelo transporte de passageiros entre Goiânia e Anápolis. A alegação do grupo é que a medida se fez necessária para garantir a permanência no mercado e a execução do serviço. No recente processo de renovação das autorizações das linhas de ônibus, a Araguarina, que operava em 32, solicitou apenas 10, pagando por elas um total de R$ 3,3 milhões em outorgas.

O grupo da Nacional Expresso, do empresário Fábio Antônio Pozzi, foi procurado pela reportagem, mas não quis comentar a situação. Segundo relatório da Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR), dentre as empresas do grupo que vinham operando no Estado, apenas a Viação Estrela, também em recuperação judicial, deve continuar. As linhas que eram da Viação Araguari e da Nacional Expresso serão repassadas para a Viação Estrela. De toda forma, houve uma redução significativa nos pedidos. Juntas, as três, vinham operando 71 linhas. Agora, serão apenas 30.

Outro exemplo desse contexto e que está fora da relação do Setrinpe é a Empresa Santo Antônio Transporte e Turismo, de posse do Grupo Amaral, que atuava há mais de 40 anos no Distrito Federal (DF) e cuja falência foi decretada pela Justiça em março. Ela operava em 20 linhas em Goiás e surpreendeu os usuários, especialmente de cidades do Entorno de Brasília, com a paralisação repentina do serviço. Um dos municípios afetados foi Sítio D’Abadia, que, hoje, está na lista das seis cidades sem ônibus.

“Acredito que estamos diante de um setor complexo e que possui custos diretos e indiretos. O fato é que os custos são onerados pela falta de infraestrutura viária, alta carga de tributos e encargos e pelo descontrole na concessão das gratuidades e benefícios tarifários”, pontua o economista Danilo Orsida. Ele cita ainda o aumento do transporte individual como indicador da diminuição da clientela do transporte de passageiros. Entre 2000 e 2016, a frota de veículos em Goiás quase quadruplicou. Em Goiânia, o aumento foi de 274,9%. Em contrapartida, houve redução de 15% na venda de passagens de ônibus em Goiás e 14,4% menos usuários do transporte público na capital.

Fonte: O Popular