Goiânia: Greve no transporte coletivo permanece suspensa

A discussão sobre a atualização do salários dos motoristas ficou para as 14 horas desta terça-feira (16). Desta forma, a possibilidade de greve no sistema de transporte coletivo novamente foi adiada. Em audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-GO) na tarde desta segunda-feira, os trabalhadores apresentaram uma proposta de 11,08% de reajuste linear retroativo a julho e 20% de aumento no ticket alimentação.

O clima da audiência foi tenso. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte (SET), Décio Caetano, pediu um prazo até a manhã de terça para discutir com os empresários se acatam ou rejeitam a proposta dos motoristas. Por outro lado, os trabalhadores queriam que a resposta fosse dada ainda nesta segunda.

Mediante o impasse, o desembargador do TRT, Breno Medeiros, sugeriu que os motoristas decidissem se poderiam aguardar a resposta. Em uma mini assembleia na porta do tribunal, a maior parte dos motoristas decidiu esperar. Um grupo ligado ao Sindicoletivo, sindicato que tentou na justiça a representatividade da categoria, não concordou e alguns homens empurraram integrantes do Sindittransporte. A Polícia Militar que estava presente no local, separou o conflito.

As empresas haviam apresentado inicialmente uma proposta de atualização salarial linear de 5,5%. O aumento é retroativo ao mês de março, data base da categoria. Os motoristas não concordam com esta posição colocada pelas empresas, e por isto ameaçam greve. Com a apresentação de nova proposta dos trabalhadores, o sindicato patronal irá avaliar, podendo mudar ou não a contraproposta.

Queda de braço

De um lado as empresas alegam que há um momento de profunda crise financeira. Décio Caetano, presidente do SET (antigo Setransp) destacou que fará um esforço para que a greve não ocorra.

“Nossa proposta permanece de 5,5% retroativo a março. Vou levar a proposta apresentada pelos motoristas para as empresas. A negociação demora em razão da crise. Acho que estamos no limite da negociação”, descreveu Décio Caetano.

O presidente do Sindittransporte, Alberto Magno, entende que o mais prudente é aguardar se a proposta encaminhada terá ou não uma resposta. Ele considera que a negociação realizada este ano é mais dura do que em períodos passados.

Caso não tenha uma resposta positiva, Alberto Magno destacou que os motoristas estão decididos a paralisar as atividades. Ele afirmou que não concorda que a greve seja iniciada de forma imediata, pois os passageiros poderiam ficar em situação difícil.

“Estamos esperançosos quanto a proposta. Suspendemos a greve até a decisão. Se não concordarem aí teremos que organizar como faremos a greve. Sou contra fazer a greve na parte da tarde, por conta da população. Se tiver uma greve esperamos começar na madrugada do dia seguinte”, argumentou.

Ir para o trabalho e depois não conseguir voltar para casa. Esta é a preocupação de Ana Silva. Ela gasta cerca de duas horas de casa para o trabalho. Ela espera que o impasse entre motoristas a patrões termine sem a necessidade de greve.

“Se não tiver ônibus a situação complica. Se não tiver ônibus a gente não vem trabalha, dependendo da empresa da falta, fora o perigo da quebradeira, igual acontece em outra greve. Na outra greve tive de pagar moto táxi e cobram o olho da cara”, afirmou.

Histórico

Motoristas do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia decidiram em assembleia realizada neste domingo (14) pela manhã por adiar a greve prevista para iniciar na madrugada desta segunda-feira (15). Os trabalhadores optaram por aguardar a realização de uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho.

O sindicato espera que a reunião tenha propostas diferentes do que foi apresentado até agora pelo Sindicato das empresas. Empresas ofereceram 5,5 % de atualização do salário. Os motoristas pedem 11,8% de aumento linear.

Na última sexta-feira (14), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-GO) deferiu liminar, em favor da Rápido Araguaia, que proíbe o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia e Região Metropolitana (Sindicoletivo) a impedir que os ônibus saiam da garagem para iniciar a operação.

Além disso, os integrantes do Sindicoletivo estão proibidos de impedir o livre acesso de empregados ao trabalho, seja nas garagens quanto em terminais e ônibus em circulação. Em caso de descumprimento, o Sindicato deverá pagar muita de R$ 100 mil por dia.

Outra questão é o dissídio coletivo de greve preventivo, ajuizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (SET). Foi deferida liminar contra o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado de Goiás (Sindittransporte), que deverá manter a frota mínima de 70% durante a greve nos horários de pico e de 50% nos horários entrepicos.

Fonte: Diário de Goiás