Goiânia: Falhas em melhoria afastam usuários do transporte público

O valor da tarifa paga por quem usa o ônibus - de R$ 3,70 – está longe de ser uma unanimidade e demonstra um desgaste do atual formato do transporte coletivo de financiamento, onde o usuário arca com grande parte dos custos do sistema. Para reverter o quadro, que contribuiu significativamente para a queda do número de passageiros e o aumento do número de veículos automotores nas ruas, iniciativas propõem saídas para a requalificação do modal.

Uma deles prevê um tributo municipal para subsidiar o preço das passagens de ônibus nas capitais brasileiras, em que a cada R$ 0,10 cobrados a mais no combustível, seria possível reduzir R$ 0,30 na passagem. A proposta foi realçada durante reunião da Frente Nacional de Prefeitos, realizada em março em Brasília. O presidente da frente e prefeito de Belo Horizonte (MG), Marcio Lacerda (PSB), cobrou dos deputados federais a aprovação da proposta, que já tramita na Câmara dos Deputados desde 2007.

Ela tem o objetivo de reverter a queda no número de passageiros do transporte coletivo. Somente na capital goiana o percentual de redução foi de 8%, o mesmo de Curitiba (PR). A medida, comum em países desenvolvidos, colabora para a manutenção do padrão de qualidade do transporte público e impõe restrições financeiras para quem utiliza o veículo partícula.

Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os automóveis utilizam 78% da malha viária das cidades, mas transportam apenas 33% da população que se desloca diariamente, além de majorar o preço das passagens em 9,6%. Para o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Otávio Cunha, a saída para reverter a tendência de queda no transporte público passa, necessariamente, pelo subsídio, aliado à criação de faixas exclusivas de ônibus.

Discordância

O professor Marcos Rothen, especialista em Engenharia de Trânsito, é conhecido por seu ceticismo. Ele acredita que subvenções nem sempre são bem aplicados. “Há outros recursos existentes que poderiam ser utilizados, como o caso dos estacionamentos, mas que não o são. A iniciativa só teria eficiência se fosse investida na melhoria das vias de tráfego, das paradas de passageiros.”, avalia. Procurada pela reportagem, a Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) não respondeu até o fechamento da edição.

Fonte: O Hoje