Goiânia: Comércio informal é coibido no Terminal Padre Pelágio

Vendedores ambulantes estão proibidos de comercializar mercadorias dentro do Terminal Padre Pelágio, em Goiânia. A ação realizada pela Metrobus, empresa responsável pela administração do Eixo Anhanguera, proíbe até mesmo a entrada destas pessoas no terminal. Mesmo assim, vendedores pagam a tarifa como um usuário comum do transporte público e permanecem no local para trabalhar. O HOJE esteve no local e verificou que fiscais da Metrobus e seguranças particulares pedem que os ambulantes guardem as mercadorias ao menor sinal de comercialização.

Este é o caso de Wilma Ramos, 41, que trabalha vendendo tapetes no terminal há quatro meses. Ela afirma que desde a última terça-feira (23) fica sentada no local com a sacola de tapetes fechada. “Este é meu único trabalho. Preciso comprar gás de cozinha e comida para os meus filhos. Temos o Bolsa Família, mas é só R$ 150”, afirma Wilma. A renda que vem dos tapetes é usada para sustentar Wilma e três filhos, de 15, 10 e nove anos. De acordo com Wilma, ela chegava a vender 11 tapetes todos os dias, que rendiam cerca de R$ 50.

A situação é a mesma para Ingrid Lorraine, 19. Ela vendia pipoca e água no terminal e o comércio ambulante é sua única renda. “Minhas coisas estão guardadas no canto. O pessoal desce do ônibus e vem comprar, mas os seguranças não deixam”, explica Ingrid, que tem um filho de cinco meses. Ela mora no Residencial Jardins do Cerrado 6, saída para Trindade, e afirma que não pretende ir para outro local para vender os produtos. “Muita gente vem para o Padre Pelágio porque é o terminal mais perto. Eu até tentei entrar dentro do ônibus para vender mais, mas com a criança pequena no colo eu não consigo”, lamenta a vendedora.

Ação

Por nota, a assessoria da Metrobus informou que as ações para retirar o comércio ambulante dos terminais do Eixo Anhanguera são realizadas periodicamente. A empresa lembra que, além de ser ilegal, este tipo de comércio atrapalha o fluxo dos usuários, bem como os comerciantes permissionários que pagam impostos e taxas para venderem seus produtos. Para Nicéia Soares, 31, o trabalho realizado pela Metrobus é importante. “Quando a gente desce do ônibus não tem como andar direito porque eles ficam no meio do caminho. Está bem melhor sem as bancas, com certeza”, afirma a auxiliar de serviços gerais.

A ação é realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável de Goiânia (Seplan) e a Policia Militar. O objetivo é intensificar as ações, não permitindo a presença dos ambulantes nos terminais e plataformas. A Metrobus estenderá essas ações aos outros terminais do Eixo Anhanguera, mas o cronograma não será divulgado.

Controle

O gerente de fiscalização de atividades econômicas da Seplan, Aguinaldo Lima, afirma que equipes da secretaria visitam cada terminal de ônibus de Goiânia uma vez por semana para coibir o comércio ambulante. Se o comerciante não tiver autorização para praticar a atividade naquele lugar, os produtos são apreendidos. “Eles sabem que não podem estar ali e entendem que se o fiscal encontrar a mercadoria ela será apreendida. Assim que a fiscalização chega, já tira tudo o que está ali”, explica o gerente. O comércio ambulante nos terminais do Eixo Anhanguera está proibido desde 17 de julho, mas a atividade continua nos locais onde a ação da Metrobus não foi intensificada.

Fonte: Jornal O Hoje