DF: Distritais querem acesso a provas de suposta fraude no transporte brasiliense

A presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão (PSS), disse que pretende visitar promotores do Ministério Público do Paraná em até um mês para ter acesso a documentos das investigações sobre fraude na licitação do transporte público da capital. Ela também não descartou a possibilidade de a Casa reabrir a CPI dos Transportes – encerrada em abril, após 11 meses de trabalho, pedindo o indiciamento de 17 pessoas.

A ideia surgiu depois de Celina se reunir com o presidente da CPI, Bispo Renato Andrade (PR), para tratar de reportagens publicadas pelo G1 no dia 3 de agosto, que indicam "manipulação" da licitação dos transportes. Documentos obtidos com exclusividade mostram que o advogado Sacha Reck, o pai dele, Garrone Reck, servidores públicos e empresários combinavam os termos do edital de licitação antes do lançamento da concorrência. O esquema investigado pelo MP paranaense indica que as fraudes ocorriam em pelo menos 19 cidades de sete estados e no DF.

“Vamos encaminhar todos os documentos [em posse da CPI] oficialmente para a promotoria do caso em Curitiba, mas também queremos ir lá pessoalmente e pegar um pouco desse material”, declarou. “Não está descartada a reabertura da CPI. A gente pode reabrir porque [a denúncia] chega com mais materialidade.”

A presidente da Câmara Legislativa confirmou a intenção, que já tinha sido adiantada pelo então presidente da CPI, de convocar os envolvidos na licitação supostamente fraudada. Entre eles estão o ex-secretário de Transportes José Walter Vazquez. “O MP local já pediu indiciamento dessas pessoas. Também quero fazer uma visita oficial ao Ministério Público, que é responsável pela ação civil pública desse certame”, disse Celina.

Celina afirmou que não ficou surpresa com a troca de e-mails que põem sob suspeita a licitação no DF. “Nada me surpreendeu. Isso demonstra que a corrupção continua acontecendo, os cofres públicos tendo prejuízo de R$ 1 bilhão por ano”, declarou. “Existe decisão judicial mandando anular a licitação. O que há é omissão por parte do governo. O que estão esperando? Delação premiada para tomar tomar providência?”, continuou.

Em janeiro deste ano, a Justiça mandou anular a licitação do transporte e deu 180 dias para que um novo sistema fosse escolhido. Como a decisão é de primeira instância, só passa a valer quando não couber mais recurso. As empresas e o governo recorreram, mas o caso não voltou a ser julgado.

Na última terça-feira (9), o G1 revelou que a Secretaria de Mobilidade pretende contratar até o fim de setembro uma consultoria externa para fazer uma análise detalhada nos contratos com as cinco empresas de ônibus que operam no DF. O objetivo do pente-fino é oferecer até o primeiro trimestre de 2017 um relatório com possíveis "vícios ou imprecisões" nos contratos.

Fonte: G1 DF