DF: Cootarde acusa rodoviários de quebrar ônibus e agredir colegas

Motoristas, cobradores e ex-funcionários da Cootarde, do Distrito Federal, são acusados pela direção da empresa de protagonizarem atos de vandalismo desde a manhã desta quarta-feira (17). Segundo a cooperativa, pelo menos 10 dos 120 ônibus foram quebrados. Até as 17h, dois suspeitos tinham sido detidos.

A Polícia Militar afirma ter sido acionada por volta das 14h50 para apartar uma confusão entre motoristas e cobradores da cooperativa no terminal de ônibus do Setor O, em Ceilândia. Os suspeitos foram indicados pela presidente da Cootarde, Marlene Chagas, que também teria sido hostilizada durante os atos.

A direção da Cootarde afirma que os atos de violência foram feitos em parceria com ex-funcionários demitidos por justa causa, que estariam tentando reintegração, e membros do Sindicato dos Rodoviários. O G1 tentou contato com a entidade em cinco telefones celulares, por diversas vezes, mas não obteve retorno de nenhum dos números.

Uma ocorrência sobre o caso foi registrada na 23ª Delegacia de Polícia (P Sul). Segundo a Polícia Civil, o boletim informa que as agressões foram praticadas por um grupo de dez pessoas. Até as 18h, a delegacia ainda investigava o crime e o paradeiro dos autores.

Uma das diretoras da cooperativa, Maria Anália Bispo de Sousa afirmou ao G1 que os ataques começaram nas primeiras horas da manhã e atingiram veículos que estavam nas ruas, com passageiros, além de carros parados nas garagens. Em um dos casos, uma cobradora teria sido agredida enquanto trabalhava.

"Eles [os agressores] entraram no carro em frente ao terminal da M Norte. Entraram dois rapazes, um funcionário e outro não identificado. Um pegou a cobradora, deu com o celular na cabeça dela e obrigou a descer do ônibus. Como ela ficou muito nervosa e não conseguiu descer, eles saíram do carro, furaram dois pneus e saíram correndo", diz Amália.

A diretora diz que chegou ao local e encontrou a funcionária ferida, tremendo e chorando. A PM foi acionada mas, quando chegou, a dupla já tinha fugido. Os trabalhadores foram orientados a retornar com o ônibus para a garagem do Setor O, em Ceilândia, mas o veículo foi alvo de novas agressões no caminho.

Segundo Amália, os rodoviários da Cootarde usaram estilingues para disparar bolinhas de gude contra os vidros, que foram estilhaçados. "Os trabalhadores foram agachados, com a cabeça baixa durante todo o caminho para não serem atingidos. No primeiro ataque, os passageiros saíram correndo, mas os funcionários não podiam fazer o mesmo", diz.

O ônibus foi atacado pela terceira vez quando chegou à garagem no Setor O, segundo o relato de Amália. Desta vez, os manifestantes quebraram o para-brisa e outros vidros da lateral. Segundo a diretora da Cootarde, os grupos se espalharam ao longo dos itinerários, armados com paus e pedras para coagir funcionários que não aderiram à paralisação.

"Me empurraram, bateram na presidente Marlene. Se eu fosse contar, seriam umas 15 pessoas. Umas eu conheço, outras, não. Mas vamos continuar rodando, não posso deixar a população necessitada de transporte por conta da irresponsabilidade de alguns", diz.

Fonte: G1 DF