Goiânia: Prefeitura reduz vagas de estacionamento para priorizar transporte coletivo

Em breve, 35 novos pontos devem receber placas que proíbem estacionamento em Goiânia. Entre os endereços, estão vias movimentadas como a Alameda Ricardo Paranhos, no Setor Marista, e a Avenida do Povo, na Vila Mutirão. Os locais estão em análise pela Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) e os critérios para a definição levam em conta, principalmente, a fluidez do trânsito e a priorização do tráfego para o transporte coletivo.

Apesar das mudanças gerarem reclamações, o diretor de Educação da SMT, Horácio Ferreira, enfatiza a necessidade desse tipo de intervenção. Ele explica que a medida é tomada apenas em casos em que é diagnosticada a necessidade de ampliação da via. “Como não temos condições de realizar obras para isso, a forma que identificamos é liberar a via que, até então, era usada para estacionamento.” Ferreira garante que estudos criteriosos são realizados antes dessas decisões.

Outros 128 pontos já tiveram as mudanças implantadas nos últimos anos, como nos corredores preferenciais do transporte público. Na Avenida Universitária, no Setor Universitário, a mudança foi realizada há quase cinco anos. “Neste local, a velocidade do ônibus melhorou consideravelmente”, argumenta Ferreira. Chefe de cozinha que mora e trabalha próximo à avenida, Leonardo Pimentel aprova a mudança. “No começo foi ruim, mas hoje é bom para a maioria.”

Com as restrições de estacionamento na Praça Cívica, implantadas recentemente, achar uma vaga para parar o carro na Avenida Universitária é difícil. O comerciante Reinaldo Vilaça reclama da falta de vagas, mas entende a necessidade da proibição. “Gostaria de parar na rua, mas Goiânia não foi planejada para tantos carros, para tantas pessoas. O jeito é cada um buscar sua alternativa, que na maioria das vezes acaba sendo encarar um estacionamento privado caríssimo.”

O preço da hora por uma vaga em estacionamento privado varia. Na região da Avenida Universitária, custa entre R$ 3 e R$ 5. A média é semelhante em outras áreas de Goiânia. Na região de Campinas há a opção da Área Azul, implantada há um ano e meio e que não atende toda a demanda. Na região, a hora pode custar até R$ 7. “Para atender o coletivo, temos estudado várias alternativas. Temos que priorizar o público e é isso que motiva os novos estudos de proibição.”

Na Avenida T-63, onde a proibição já completou três anos, ainda há reclamação por parte de empresários que tiveram que se adaptar à falta de vagas para clientes. “O problema é que aqui falta até o privado”, diz o comerciante Raul Oliveira de Sousa.

Desrespeito onde não há fiscalização

A infração cometida por quem estaciona em locais inadequados é grave e rende cinco pontos na carteira de motorista, além de multa. A regra vale para locais com sinalização ou para onde a regra existe, independente de placas. Ainda assim, é possível facilmente flagrar o desrespeito em locais onde não há fiscalização eletrônica ou presença constante de agentes de trânsito.

Nos corredores preferenciais dos ônibus, pela existência das câmeras que registram não só o tráfego, mas o estacionamento irregular, não há esse tipo de infração. Nos locais onde os agentes da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) raramente são vistos, porém, não é difícil ver motoristas usando o espaço para atender necessidades particulares.

Na Avenida República do Líbano, no Setor Oeste, apesar das placas, o desrespeito pode ser flagrado, assim como na Avenida Bernardo Sayão, no Setor Centro-Oeste. Essas ações de desrespeito são comuns em áreas de maior movimento e muitos comércios.

Neste caso, o diretor de educação para o trânsito da SMT, Horácio Ferreira, explica que a atuação dos agentes é necessária. Ele entende que nas regiões comerciais, o problema passa a ter dois lados. “De um lado, a gente vê o comerciante que quer vagas para seu cliente. Mas se a região passa a ter fluxo intenso e muitos carros parados impedindo a circulação, esse cliente não chegará ao local.”

Ferreira informa que, nestes casos, o empreendedor deve arcar com a responsabilidade de criar vagas para seu cliente. Ele entende que, na concepção do comércio, já deve ser previsto o espaço para estacionamento. “A Prefeitura não pode arcar com a responsabilidade de prover vagas

Prioridade nas ruas é para transporte público, diz SMT

As mudanças relacionadas aos estacionamentos são pensadas, segundo a Prefeitura, para dar prioridade ao transporte público, mas também para amenizar o tráfego intenso de carros na cidade. Diretor de educação para o trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT), Horácio Fereira acredita que proibir o estacionamento abre uma alternativa de fluxo.

Além disso, ele defende que as proibições são necessárias para garantir que as pessoas que escolhem vias alternativas também tenham agilidade. O diretor cita como exemplo a regra implantada na Avenida T-4, no Setor Bueno. “A pessoa que deixou de usar a Avenida 85 por causa da implantação do corredor preferencial para ônibus passou a ter a Avenida T-4 como alternativa. Sem proibir o estacionamento na via nas proximidades da T-63, o fluxo seguiria travado e teríamos um novo problema ali.”

“A gestão da SMT quer priorizar o transporte público e também quer viabilizar um fluxo melhor para o carro. Mas o público sempre será a prioridade”, destaca Ferreira. O diretor acrescenta que essas mudanças preveem a agilidade em todos os sentidos. “Em uma cidade em que o número de veículos cresce rapidamente, não temos condições de dar preferência para o privado, mas temos estudado as vias para que o trânsito seja bom para todos os personagens.”

As novas proibições de estacionamento estão espalhadas pela capital e atendem a demandas de regiões de fluxo intenso tanto de ônibus quanto de veículos. “Se a regra foi implantada, é porque ela é necessária para melhorar o tráfego na região.”

Fonte: O Popular