Goiânia: Eixo Anhanguera - E sem o reforço, como fica?


“O eixo é muito perigoso e agora pode ficar ainda mais”. A frase é da dona de casa Antônia Raiane Silva, de 21 anos, que levava no colo o filho Davi Lucas, de dois anos. A expressão representa o temor dos passageiros que utilizam a linha do Eixo Anhanguera. Usuários da linha ouvidos pelo POPULAR ontem são unânimes na impressão que o rompimento do acordo entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e a Metrobus pode contribuir para o crescimento da ação de criminosos.

Se com o reforço da GCM, junto do trabalho da Polícia Militar (PM) nos cinco terminais e 19 plataformas ao longo do Eixo Anhanguera, os números de assaltos em transporte coletivo em Goiânia continuam altos, a pergunta que fica para boa parte dos passageiros é: e agora, como fica?

A média mensal de furtos e roubos em transporte coletivo nos seis primeiros meses deste ano na capital é de 582 ocorrências, enquanto que, no ano passado, essa média é de 580. Os números deste ano representam um aumento de 48% das ocorrências registradas em 2011. O Observatório da Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP-GO) ressalta que os dados integram todo o sistema de transporte coletivo da capital, mas confirma que a maior incidência é no Eixo Anhanguera. Em nota a SSPAP-GO informou que continuará com os esforços para promover a tranquilidade dos usuários, mas não repassou os registros ocorridos apenas no Eixão.

O presidente da Comissão de Segurança Pública e Política Criminal da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO), Edemundo Dias, tem a mesma convicção dos usuários. “É uma certeza. Os criminosos migram, principalmente aqueles que atuam contra o patrimônio e isso pode influenciar também nos crimes contra a vida. Quando um ponto é fragilizado, como agora, por culpa do poder público, o criminoso voltará a praticar o delito e ainda com mais força”, diz. “É uma parceria entre o município e o Estado que pode dar muito certo. É o que todo mundo deseja: uma conjugação de esforços para beneficiar a população.”

Guarda Civil Metropolitana afirma que acordo não foi cumprido

Desde a última sexta-feira, 8, a GCM encerrou o acordo com a Metrobus que durou sete meses. A Guarda empregava 80 homens e, segundo o subcomandante Valdimir Passos, a estrutura, como carro, combustível e manutenção deveria ser oferecida pela Metrobus. “Resolvemos encerrar o acordo, pois o efetivo estava ocioso, sem condições para executar o serviço. Estamos esperando o contato, que até agora não foi feito, para restabelecer o serviço”.

A Metrobus, por meio da assessoria de imprensa, afirma que “gostaria que a parceria continuasse, mas não podemos assumir orçamentos de outros órgãos”. Além disso, a empresa relata que vem “cumprindo determinação judicial e contratou vigilantes para todos os terminais e plataformas” e ainda prestado serviço de videomonitoramento, “no qual há comunicação direta de ocorrências ao longo do Eixo Anhanguera com a Secretaria de Segurança Pública”. As câmeras dentro dos ônibus, no entanto, continuam desligadas.

A Metrobus reforça ainda que o programa da Polícia Militar, o Terminal Seguro, continuará.

Fonte: O Popular