Goiânia: Cerca de 28% dos locais de parada do transporte coletivo não têm abrigo nem qualquer identificação

Enquanto alguns usuários do transporte coletivo da região metropolitana aproveitam, sentados, a novidade dos displays mostrando as linhas e os horários das próximas viagens em alguns pontos de ônibus, principalmente no Centro da capital, outros sofrem até para conseguir identificar onde o ônibus vai parar ou para esperar sua chegada sob o sol ou chuva. Um poste pintado ou uma placa azul podem ser a única indicação de que ali é ponto de alguma linha, não necessariamente a que o usuário precisa utilizar.

A organização dos pontos do Centro ajudaria o estudante Luís Otávio Araújo, de 16 anos, já que ele espera o ônibus na Avenida S-1, no Setor Bueno, do outro lado da via onde mora sua avó. Se soubesse quanto o horário de chegada do ônibus, poderia ficar mais tempo com ela antes de descer, atravessar a rua e ficar esperando ao relento, sem lugar para se sentar e até mesmo sem calçada. No local, só uma placa indica que se trata de um ponto de ônibus. Em horários de maior movimento, a cobertura de um salão de beleza e o de uma lanchonete são os refúgios dos usuários.

Pior que isso é quando os passageiros têm de adivinhar onde ficam os pontos de parada, como foi com a diarista Tereza Joaquina da Cruz, de 58 anos, que há três anos pega o ônibus da linha 281 na Avenida Guarapari, no Jardim Atlântico. Para quem vai no sentido Parque Amazônia, não há qualquer ponto de parada e nem mesmo placa. Um poste pintado com faixas amarelas e pretas é o ponto. “Nem sabia disso. O povo sempre fica aqui, aí sabemos que o ônibus para”, diz.”

CMTC diz que não conseguiu recursos com o governo federal

O diretor técnico da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), responsável pelos pontos de parada, Sávio Afonso, explica que o órgão pleiteou, junto ao Governo Federal, via Ministério das Cidades, verba para reforma e aquisição de abrigos para a região metropolitana. Ocorre que não foi aberta qualquer linha de crédito nos últimos anos para esse objetivo. Apenas os corredores preferenciais e o BRT Norte-Sul, com verbas próprias, devem receber novos pontos de embarque e desembarque.

Os abrigos que estão instalados nesses locais, assim que os projetos forem finalizados, serão remanejados para os pontos que estão sem a proteção devida para os usuários. Um problema recorrente, segundo Sávio, é em relação aos pontos pré-moldados, que são feitos de concreto, já que não há recuperação quando há avarias. “Muitas vezes estão em lotes baldios, aí o proprietário constrói uma casa e faz a garagem em frente ao ponto e pede a retirada. O único jeito é destruí-lo e perdemos o abrigo”, conta.

Sobre os displays, o diretor técnico explica que a verba tem relação com um acordo ocorrido em 2010, quando o consórcio da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) iniciou as reformas dos terminais, como resultado da licitação em 2008. Com os recursos, foram colocados cabos nos pontos do centro para os equipamentos. Ocorre que os objetos foram roubados. “Agora conseguimos, via Comurg e Seinfra, os cabos e a instalação, e a RMTC colocou os displays.”

Usuário precisa de conforto

O ponto de parada é o lugar que faz a ligação do usuário com o sistema de transporte e deve ser atrativo para o usuário. Qualquer que seja o tamanho, todos os pontos devem ter cobertura para os passageiros e informação com identificação dos pontos, as linhas que passam e seus itinerários. A não existência de abrigo é mais grave em locais afastados, onde o passageiro não tem como se proteger. Na região metropolitana, além de não se ter a preocupação com esses critérios, os pontos implantados apresentam deficiências graves. Nem mesmo no Eixo Anhanguera, que transporta muitas pessoas, se tem informação e abrigo adequado. Outros locais onde tem abrigo, apresentam deficiências básicas. Por exemplo, se o passageiro esperar sentado ele não consegue ver o ônibus que está vindo, a numeração dos pontos se apagou rapidamente, cadeiras de rodas e carrinhos de bebê não tem espaço e assim por diante. A implantação da informação do horário é importante, mas não é a solução. Ônibus tem que ter horário fixo. O passageiro, ao chegar ao ponto, ver que seu ônibus vai passar a quarenta minutos e que vem dois juntos, não ficará feliz.

Fonte: O Popular