DF: Metroviários completam um mês de greve nesta quinta-feira


Sem avanço nas negociações, metroviários completam nesta quinta-feira (14) um mês de greve no Distrito Federal. A categoria pede a convocação de aprovados em concurso público e reposição da inflação anual na data base (9%). Com a paralisação, o serviço funciona apenas nos horários de pico: das 6h às 9h e das 17h às 20h30. Todas as faixas exclusivas de ônibus, com exceção da do BRT, seguem liberadas para outros veículos.

Segundo o sindicato da categoria, há déficit de cerca de 800 funcionários. O quadro atualmente tem 1,2 mil servidores. O salário inicial de um agente de segurança da empresa é de R$ 2,9 mil, o mais baixo da empresa. O maior salário inicial é o de engenheiro – R$ 6 mil.

Por causa da defasagem de funcionários, é comum que catracas sejam liberadas para a entrada de passageiros. De acordo com o sindicato, há 900 aprovados em concurso aguardando convocação. "A gente tem falta de empregados em todas as áreas, operacionais e técnicas", disse o presidente da entidade, Ronaldo Amorim.

O Metrô afirma que não pode permitir reajuste salarial. “A empresa lamenta os transtornos causados com a paralisação e explica que o governo de Brasília está impedido de reajustar os salários e de contratar os aprovados no último concurso em razão do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).”

Passageiros relatam superlotação nos trens durante os tempos em que o serviço é oferecido. “É desumano, é uma vergonha. É humilhante voltar do serviço e deparar com isso aqui. Acho que a jornada de volta pra casa é mais cansativa que a jornada [de trabalho] em si”, disse o contador Bruno Fernandez.

“Não está funcionando direito não”, completou a autônoma Cristiane Souza. “Estação hiperlotada. a gente trabalha o dia todo, quer ir para casa para ficar com a família, como é que fica? Eu fico revoltada com isso.”

O presidente da empresa, Marcelo Dourado, disse que a greve não interfere no volume de usuários no horário de pico. Segundo ele, durante este período o funcionamento é semelhante ao dos dias normais, porque o número de trens em circulação é o mesmo.

A greve foi considerada legal e não abusiva pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Na decisão, de 5 de julho, o relator do caso, desembargador Nery de Oliveira, disse que o sindicato “se manteve dentro dos limites legais” por se mostrar disposto a negociar e informar sobre as paralisações com antecedência.

Em dias normais, o serviço atende diariamente 170 mil pessoas, entre 6h e 23h30 de segunda a sábado e 7h às 19h aos domingos e feriados. O metrô circula nas regiões mais populosas do DF – Ceilândia, Taguatinga e Samambaia. Ele também passa por Águas Claras, Guará e Plano Piloto. O sistema tem 42,3 quilômetros de extensão. A estação com maior fluxo é a da Rodoviária do Plano Piloto, por onde passam 20 mil pessoas por dia.

Fonte: G1 DF