DF: Greve de metroviários continua e brasilienses sofrem sem o transporte

A batalha travada entre os metroviários e a direção do Metrô-DF está longe do fim. Ontem, a estatal saiu derrotada do julgamento no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10ª Região. A Corte decidiu pela legalidade da greve e afirmou que a paralisação não é abusiva. Os magistrados não aceitaram os argumentos da direção da empresa, que pediu o dissídio na Justiça ao alegar que o Sindicato dos Metroviários (SindiMetrô-DF) não cumpriu as formalidades previstas em lei, como o anúncio prévio da paralisação e a manutenção de porcentagem mínima pelo serviço. Para reforçar a decisão, os trabalhadores fizeram uma assembleia na noite de ontem e confirmaram o seguimento da greve.

A principal perda da estatal com a decisão foi a desconstrução do mais forte argumento patronal: o de não ter condições de conceder aumentos nem chamar concursados por causa do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). No entendimento do relator, o desembargador Alexandre Nery de Oliveira, o Metrô-DF é uma empresa pública e, embora o GDF seja o acionista majoritário, a estatal tem recursos próprios, como a bilheteria, o que não a impede de cumprir acordos firmados desde 2014. O SindiMetrô comemorou a posição favorável. “A Justiça entendeu que a LRF não pode ser escudo para o GDF não atender as reivindicações da categoria”, afirmou Júlio César Lima de Oliveira, um dos diretores da entidade.

A direção da empresa preferiu não se pronunciar sobre o acórdão do TRT. Por nota, o Metrô lamentou os transtornos causados e reafirmou que o GDF está impedido de reajustar os salários e de contratar os aprovados do último concurso em razão do limite prudencial da LRF. Afirmou ainda que “a direção do Metrô continua aberta para negociar com os metroviários e evitar que a população seja ainda mais prejudicada com a greve”. Os metroviários permanecem com os braços cruzados e os trens funcionando em horário especial. O movimento já dura 23 dias e é um dos mais longos da história.

Imobilidade

Enquanto o embate permanece, os passageiros rearranjam a rotina para se locomover na capital do país. Márcia Macedo, 43 anos, mora em Samambaia Sul, próximo à Estação Furnas, e trabalha como suporte técnico, indo a vários lugares por dia — na maioria das vezes, de metrô. Com a greve, ela conta que está perdendo tempo ao usar o ônibus como meio de transporte. “Saio e volto para casa de metrô, nos horários de picos, mas, durante o dia, tenho que fazer percursos de ônibus, o que me faz perder tempo”, relata.

Anderson Martins, 40, mora em Ceilândia e trabalha por conta própria. Ontem, esteve na região central para levar seu filho Pedro Martins, 5 anos, ao hospital. “Eu vim de ônibus e demorou muito mais para chegar. Essa greve é uma palhaçada, eles pedem novas contratações em um momento de crise. Se contratarem mais gente, vão deixar de pagar todo mundo. Aí, entram em greve de novo por falta de pagamento.” Na volta para casa, Anderson preferiu esperar o metrô voltar a funcionar. “De ônibus para a Ceilândia demora muito, é mais vantajoso esperar o metrô”, conta.

Horário especial

Apesar da greve, os horários de funcionamento do metrô permanecem os determinados pela Justiça — de segunda a sábado, das 6h às 9h, e das 17h às 20h30 —, ou seja, somente no período de pico de usuários. No domingo, o sistema não funciona.

Fonte: Correio Braziliense