DF: Com dívida, GDF deu reajuste para empresas de ônibus. Secretaria pode revogar aumento

O GDF sofre para conseguir arcar com o alto custo das tarifas técnicas das empresas de ônibus do DF, mas garantiu aumento aos empresários no mês passado. O subsídio complementa a tarifa paga pelo usuário, e é calculado a partir de vários fatores, como quilometragem e quantidade de passageiros transportados. A dívida do governo com as cinco empresas que operam o sistema é de R$ 78 milhões, segundo a Secretaria de Mobilidade.

Mesmo assim, uma revisão da tarifa técnica feita em junho deste ano aumentou o valor dos repasses em 8,04%. A Viação Marechal, por exemplo, que já havia tido um reajuste de 45,7% no ano passado, passou a receber R$ 5,14 por passageiro. A Pioneira, que já tinha tido aumento de 31%, agora recebe R$ 4,04.

Do lado do passageiro, também houve aumento – a intenção do governo, ao subir o valor da passagem no ano passado, era reduzir o valor repassado anualmente às empresas, de R$ 550 milhões para R$ 450 milhões.

A secretaria explicou que a revisão da tarifa técnica está prevista em contrato, mas afirmou que as tarifas devem sofrer novas alterações – o aumento dado em junho pode, inclusive, ser revogado. “Estão passando por revisão todas as tarifas técnicas concedidas às empresas”, garantiu, em nota.

Fogo cruzado

O sindicato que representa as empresas de ônibus confirmou a dívida do governo e afirmou que, pelo contrato, o reajuste das tarifas deve ser feito apenas “anualmente”. Do valor global da dívida que já existe com as empresas, R$ 16,5 milhões são referentes a 2014 e devem ser pagos ainda neste ano. De 2015, são R$ 61,5 milhões em débitos.

'Sem conserto'

Há cinco meses, o juiz Lizandro Gomes Filho pediu a anulação da atual licitação do transporte público, por ver graves indícios de fraude na concorrência – o GDF recorreu e o processo ainda não transitou em julgado. O principal consultor do certame na época, o advogado Sacha Reck, está preso em Curitiba por crimes cometidos em concorrência semelhante feita no interior paranaense.

Presidente da CPI dos Transportes na Câmara Legislativa do DF, cujo relatório também recomendou a anulação do contrato, o deputado Bispo Renato Andrade (PR) criticou a posição do governo e adianta que nem mesmo uma revogação do aumento dos subsídios funcionaria. “Não há conserto para esse contrato do jeito que está. O problema é a má-fé deste governo. Eles dizem que não terão tempo de fazer uma licitação, mas se tivesse competência já estariam com o edital lançado”, ataca.

Fonte: Jornal Metro Brasília