DF: 60 mil com pendências no Passe Livre

Quem não fez ou não concluiu o recadastramento no sistema do DFTrans terá de pagar pelas passagens até o fim das pendências. Isso porque ontem foi o último dia de funcionamento dos cartões de quem ainda não regularizou a situação com a autarquia. Nos postos, estudantes estavam desesperados com as informações desencontradas e os problemas no sistema. De mais de 238 mil cadastramentos feitos, cerca de 60 mil – ou seja, um quarto – apresentam pendência.

Apesar da confusão, o DFTrans informa que não há prazo final. “Quem não regularizou a situação terá o cartão bloqueado. Porém, a qualquer momento, o estudante pode entrar no site e regularizar o cadastro. Não há prazo final para fazer o cadastro pelo site”, explicou, em nota.

Ontem, as filas de espera estavam enormes. “Há pessoas aqui há mais de duas horas. Até as 11h, nós tínhamos distribuído 415 senhas, além de mais de 150 que vieram só para pegar o cartão e não precisam de senha”, disse um funcionário.

João Barbosa, estagiário de 23 anos, começou o recadastramento em abril, mas até hoje não conseguiu finalizá-lo. “Mandei meus documentos e responderam dizendo que eu precisava de outro comprovante de residência. Desde então a tela não muda. Não consigo adicionar o documento, salvá-lo, não consigo sequer sair do sistema”, reclama.

Ele esperava no posto há duas horas e meia. “Se eu não conseguir hoje, terei de arcar com R$ 400 por mês. Vou ficar aqui até a fome apertar demais. Se demorar muito, vou ter de ir embora. Eu só quero resolver meu problema, mas, pelo visto, não vou conseguir”.

Falhas no site

A secretária Jaqueline Rodrigues, 32 anos, foi tentar regularizar a situação da filha e da sobrinha. Enquanto uma tinha pendências no recadastramento, a outra precisava da segunda via do cartão: “Eu criei uma senha no site para o cadastro da minha filha e, ao logar, diz que está errada. Não adianta trocar, porque não confere. Eu já liguei várias vezes, é a quarta vez que venho só neste mês, e eles só falam que tem que arrumar pelo site”.

Ela pegou a senha preferencial, mas ainda assim a espera estava longa. “Quando peguei minha senha, me informaram que tinha uns 80 preferenciais na minha frente”.

Segunda via também causa problemas

Outro problema que muitos tentam solucionar é obtenção da segunda via do cartão. A maioria dos que chegavam ao posto acabava voltando de mãos vazias. A estudante Jenifer Borges, 26, perdeu o cartão há um mês e ainda não recebeu o novo. “O DFTrans dá prazos para nós, mas não cumpre os dele. Me passaram a tarifa, eu paguei, e me mandaram e-mail dizendo que meu cadastro estava certo e que era para aguardar dez dias. Só que isso já faz um mês”, revela.

O DFTrans admitiu falhas. A autarquia explicou que a demora na entrega da segunda via ocorreu no último mês porque houve problemas na qualidade do material entregue pelo fornecedor. Com isso, precisaram providenciar a substituição de toners da impressora. A promessa é de que a situação seja regularizada na próxima semana. Hoje, há aproximadamente 3,5 mil pessoas na lista de espera por um novo cartão.

De acordo com o DFTrans, entre 1º de março e 1º de abril de 2016, foram feitos 227.171 cadastros no site. Desde a abertura do atual período cadastral, em 1º de junho, cerca de 12 mil estudantes se cadastraram.

Treze mil ainda não retiraram seus cartões e devem comparecer aos postos. A lista desses estudantes e do local de retirada está nos sites www.passelivreestudantil.df.gov.br e www.dftrans.df.gov.br.

Ponto de vista

O Ministério Público contestou os procedimentos do DFTrans em maio e enviou uma série de recomendações. Para o MP, a maior parte foi atendida. “No início, delimitaram a data para cadastro e a gente entendeu que isso não poderia ocorrer. Todos os que têm direito podem pleitear a qualquer momento”, analisou a promotora Cátia Gisele Vergara. O único aspecto não atendido é a agilidade nos novos cadastros: “Mas nos foi garantido que eles teriam preferência na análise”, disse. Já a criação de um acesso presencial para pessoas sem internet foi acatada.

Fonte: Jornal de Brasília