Goiânia: Seis saídas para o trânsito de Goiânia

Em prol da segurança, alguém toparia deixar o carro em casa? Ou andar a 40 km/h ou mesmo 30 km/h? E se locomover em vias onde toda a prioridade é do pedestre? São medidas como estas que levam a um trânsito seguro nas cidades e permitem a redução dos índices de acidentes. E não seriam novidades, já que muitos lugares do mundo já adotaram mudanças para a trafegabilidade nas vias e têm conseguido sucesso na busca da segurança viária.

Nova Iorque, por exemplo, adotou o programa Visão Zero, que pretende zerar o número de mortos e feridos no trânsito, em 2009 e, até o ano passado, o número de motoristas e passageiros nestas condições diminuiu 63%, enquanto que para os pedestres a queda foi de 35%. Isso fez-se com que se chegasse a um índice de 3,3 na taxa por 100 mil habitantes. Em Goiânia, dados de 2014 indicam a mesma taxa em 24,85.

Para o final do Maio Amarelo, movimento que busca a redução nos acidentes de trânsito, OPOPULAR levantou quais medidas foram adotadas em outras cidades que levaram a uma mobilidade segura. E, assim, como e onde elas poderiam ser implantadas em Goiânia de modo a dar mais segurança a quem trafega e verificou que as mudanças devem ser contínuas e a longo prazo.

Gerente de educação de trânsito da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT), Horácio Ferreira indica que medidas adotadas em outras cidades são passíveis de servirem a Goiânia, desde que adaptadas. “Necessita de uma adaptação porque são culturas diferentes. Aqui fizemos a Zona 40 e já temos que dar muitas explicações sobre isso, todas a motoristas, imagina se fosse uma Zona 30?”, diz.

Ferreira explica que em outras cidades do mundo há um pensamento coletivo, mas aqui há uma ideia de que trânsito é apenas uma maneira de se locomover, ou seja, como chegar a um destino no menor tempo possível. “Quando importamos essas medidas temos que pensar em como isso vai ser visto. É natural que ocorra objeções, mas não de forma generalizada. Aqui já pensam que o problema é a multa que vão ter de pagar e não a segurança.”

O maior problema para esta adaptação é a falta de ferramentas de gestão que informem quem são as vítimas do trânsito, e onde e quando ocorrem as fatalidades. Ferreira revela que dados de acidentes de 2015, ainda parciais, revelam que a maior parte das vítimas do trânsito em Goiânia são motociclistas, mas, ao mesmo tempo, não há qualquer política pública específica para este grupo, nem mesmo uma fiscalização ou legislação mais rígida.

Modelos prontos necessitam de adaptação

A professora da Universidade Federal de Goiás (UFG), arquiteta e urbanista Erika Kneib diz que é bom se inspirar em modelos de outras cidades, mas que é preciso tomar cuidado, pois “cada cidade é uma cidade”. A redução dos índices de acidentes não pode vir de soluções pontuais. Marcos Rothen, professor da Instituto Federal de Goiás (IFG) e especialista em trânsito, reitera que em outros países os programas têm continuidade, enquanto que em Goiânia, “parece que estamos sempre começando de novo”.

Rothen reforça que lá fora “uma morte no trânsito é uma tragédia, aqui estamos acostumados com isso”. Até por isso, lá há maior rigor na aplicação das multas, na exigência para obter habilitação e há educação de trânsito nas escolas. Outra diferença é que em cidades com mobilidade segura, os entes do trânsito estão preocupados com a segurança, enquanto que no Brasil existe uma rixa entre motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres.

No caso de Goiânia, é necessário que se reclassifique as vias, já que, sobretudo em bairros residenciais adensados, as ruas internas são vistas como uma alternativa às de maior movimento. “Quando isso acontece inicia-se a tendência de degradação de um bairro (principalmente residencial) e o aumento do número de acidentes, principalmente com pedestres”, diz Erika.

O perito em trânsito, Antenor Pinheiro, também indica a configuração viária como medida essencial, de modo que se dê prioridades ao transporte coletivo e o não motorizado. Ele afirma que é preciso mais atitude e agilidade dos órgão preventivos e processantes para que os crimes tenham severa observação judicial.

Planejamento é mais importante

Mesmo que se tenha um conjunto de medidas que deram certo em outras cidades, é importante que elas sejam aplicadas pensando no conjunto da cidade. “Uma medida importante seria um Plano de Circulação que defina a função e velocidade adequada de cada via, voltado à segurança dos pedestres, ciclistas, à qualidade do transporte coletivo e depois, o automóvel”, avalia a professora Erika Kneib.

Um dos erros mais fatais é acreditar que apenas a sinalização possibilita o respeito à segurança viária. “Não adianta ter uma via com 3 ou 4 faixas de rolamento por sentido, com 3,5 metros de largura cada, com asfalto plano, e apenas inserir uma placa de 40km/h. Dificilmente o motorista respeitará.” Ou seja, é necessário um conjunto de medidas, desde a geometria das vias até a inclusão de equipamentos urbanos, que informem as regras.

Antenor Pinheiro reforça que o gestor deve identificar o local da acidentalidade, propor a solução e definir o caminho técnico e/ou político “para que a janela de oportunidades permita a construção da agenda para que seja definida e praticada a ação necessária”. E isso requer planejamento. No entanto, o Poder Público, nas três esferas, se perdem no fator decisório, mesmo tendo agenda e diagnósticos.

Mesmo que se tenha um conjunto de medidas que deram certo em outras cidades, é importante que elas sejam aplicadas pensando no conjunto da cidade. “Uma medida importante seria um Plano de Circulação que defina a função e velocidade adequada de cada via, voltado à segurança dos pedestres, ciclistas, à qualidade do transporte coletivo e depois, o automóvel”, avalia a professora Erika Kneib.

Um dos erros mais fatais é acreditar que apenas a sinalização possibilita o respeito à segurança viária. “Não adianta ter uma via com 3 ou 4 faixas de rolamento por sentido, com 3,5 metros de largura cada, com asfalto plano, e apenas inserir uma placa de 40km/h. Dificilmente o motorista respeitará.” Ou seja, é necessário um conjunto de medidas, desde a geometria das vias até a inclusão de equipamentos urbanos que informem as regras.

Antenor Pinheiro reforça que o gestor deve identificar o local da acidentalidade, propor a solução e definir o caminho técnico e/ou político “para que a janela de oportunidades permita a construção da agenda para que seja definida e praticada a ação necessária”. E isso requer planejamento. No entanto, o Poder Público, nas três esferas, se perdem no fator decisório, mesmo tendo agenda e diagnósticos.

Fonte: O Popular