Goiânia: Passageiros abandonam transporte coletivo

A diminuição na quantidade de usuários do transporte coletivo tem sido, ao longo dos anos, a principal causa do prejuízo das empresas do transporte coletivo. Esta é a constatação do diretor-presidente da Metrobus, Marlius Machado. O incentivo à compra de veículos automotores nos últimos anos e a atual crise econômica são apontados pelo diretor como os principais fatores para fuga de clientes das empresas do transporte coletivo.

“Como há muita demissão, muitas pessoas deixam de usar o transporte coletivo para trabalhar. Também temos consciência que o serviço não agrada a população. Conhecemos os problemas e tentamos corrigi-los”, diz Machado. No caso da Metrobus, responsável por administrar os terminais e linhas do Eixo Anhanguera, o aumento de 11,7% na receita em 2015 não foi suficiente para cobrir o saldo negativo final que já acompanha a empresa por mais de dez anos seguidos.

A Metrobus fechou o ano com rendimento de R$ 85,6 milhões, mas o déficit foi de R$ 18,9 milhões. De acordo com Machado, o aumento na receita deve-se ao reajuste da tarifa ocorrido em 2014, que refletiu em 2015. Além disso, a extensão do serviço do Eixo Anhanguera para as cidades de Goianira, Trindade e Senador Canedo em 2014 é apontada como causa significativa para elevação dos gastos da empresa que, segundo o diretor, não teve receita adicional. O reconhecimento de dívidas de fornecedores, diz o diretor, também pesou nas contas da Metrobus em 2015. Para equilibrar as contas, Machado afirma que a empresa está trabalhando no corte de despesas.

Usuários

Para o estudante Vinícius Pontos, 22, o serviço prestado pela Metrobus é bom, mas fatores externos – como a violência – causam a maior parte dos problemas. Já Grace Shelem, 23, usa o serviço todos os dias e reclama de ônibus lotados e sujos. Para descartar o transporte coletivo, Machado afirma que a população busca outras formas de se locomover pela cidade, com caronas ou empregos mais perto de casa. “Buscamos melhorar sempre, mas entendemos que estamos longe do ideal”, afirma.

CMTC aplicou R$ 845,8 mil em multas em 2015

A Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) é responsável por fiscalizar o serviço prestado pelas empresas que prestam serviço de transporte coletivo na capital. Em 2015, o valor de multas aplicadas a Rápido Araguaia, HP Transportes Coletivos, Viação Reunidas e Cooperativa de Transportes do Estado de Goiás (Cootego) foi 162% maior que em 2014 e somou R$ 843,8 mil.

A Rápido Araguaia foi a empresa mais multada. O valor das penalidades da empresa somou R$ 663,4 mil em 2015. A empresa possui 50% da frota do transporte coletivo em Goiânia. A Rápido Araguaia do Grupo Odilon Santos entrou com pedido de Recuperação Judicial no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), no fim de março. Em uma sessão da CPI do Transportes na Assembleia Legislativa, Odilon Santos, proprietário da Rápido Araguaia, afirmou que se conseguisse ver o mercado anos a frente, nunca teria investido no setor de transportes.

Trânsito

De acordo com o presidente da Cootego, Riuvaldar Gonçalves, a empresa é responsável por 8 por cento da frota de ônibus da Região Metropolitana de Goiânia (RMG). A empresa recorreu apenas das multas aplicadas por atraso. "Com o trânsito na situação que está, não dá para colocar a culpa no motorista" afirma o presidente. A HP Transportes informou que esclarecimentos cabem à Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC). Já a RMTC afirmou que cada empresa responderia de forma individual neste caso. As demais empresas foram procuradas pela reportagem, mas até o fechamento não se pronunciaram sobre o assunto.

Fonte: O Hoje