Goiânia: Comércio ilegal domina terminais do Eixo Anhanguera

Andar pelos terminais do Eixo Anhanguera está cada dia mais trabalhoso. Ônibus superlotados, poucos pontos de embarque, sujeira e criminalidade são apenas alguns dos problemas. O comércio ambulante toma conta dos terminais do trecho e além de atrapalhar a circulação de pessoas colabora para a informalidade e criminalidade.

Cada vendedor permissionado tem o seu ponto de comércio e deve respeitar o espaço do outro. Caso contrário, há confusão na certa. Aos usuários do transporte público restou contentar-se com o espaço de piso que sobra entre um tapete e outro de bugigangas e filmes piratas, sandálias, chinelos, carteiras, cigarros contrabandeados, entre outros.

No Terminal do Novo Mundo, por exemplo, o espaço que deveria servir para circulação de pedestres está tomado pelos vendedores. Nos horários de pico, o problema se torna ainda mais crônico, segundo usuários.

A oferta e a demanda são tantas que a fiscalização não tem dado conta de coibir o comércio ilegal. “Eles atrapalham muito porque o espaço é estreito. A gente fica se esbarrando. Com a aglomeração de pessoas, às vezes chego a perder o ônibus”, conta a usuária, Maria Adelaide dos Santos. Ela tem que pegar o ônibus no terminal as 6h30 da manhã para chegar ao trabalho no Setor Bueno às 8h.

Em outros terminais a situação não é diferente. Na Praça da Bíblia, a aglomeração é semelhante. O comércio ambulante e ilegal corre livre nas plataformas, atrapalhando e dificultando a circulação de pedestres. Nos horários de pico, principalmente às 18h, a situação se agrava com o retorno das pessoas para casa.

No terminal da Praça A, em Campinas, o cenário se repete, mas com muito mais movimento. No meio da tarde de ontem usuários do transporte coletivo se esbarram uns aos outros para entrar no ônibus em meio aos ambulantes espalhados próximos às plataformas.

O estudante Danilo de Moraes precisa passar pelos terminais Dergo e Padre Pelágio todos os dias da semana para estudar em uma faculdade particular no Setor João Vaz. Ele comenta que nos horários de pico, entre 18h e 19h, é mais frequente a presença de ambulantes, mas que na volta para casa às 22h quase não se vê os vendedores. “Eles preferem os horários de maior movimentação, o que dificulta ainda mais a circulação de pessoas no terminal. Mas não me incomodo tanto eu entendo que são pessoas que estão trabalhando e precisam garantir o sustento da família. Nem todo mundo consegue emprego formal”, defende.

Ambulantes

Há cinco anos trabalhando em um dos terminais do Eixo, Luana Cardoso ajuda no sustento da casa com a comercialização de roupas. Ela consegue uma renda média de R$ 100 por dia de trabalho. “É mais do que eu conseguiria trabalhando no comércio formal”. Luana argumenta que conseguir um emprego está difícil e todos ali estão tentando garantir seu sustento honestamente.

Já outra ambulante, que preferiu não se identificar, foi para dentro do terminal há dois dias apenas. Ela reclama do movimento fraco nas vendas, mas afirma que foi a única saída que encontrou para garantir seu sustento. Ela vendia chips para celular no Centro de Goiânia e resolveu trabalhar nos terminais para tentar ter uma renda maior. Hoje ela vende também enxoval.

Os ambulantes comentam que há meses não vêem nenhum tipo de fiscalização da Metrobus contra o comércio ilegal dentro dos terminais. Mas eles afirmam que trabalham sempre atentos e apreensivos quanto à possibilidade do ‘rapa’ passar e levar toda a mercadoria.

Fiscalização

A Metrobus informou, por meio de nota, que por enquanto ainda não pode divulgar nada a respeito sobre uma intensificação na fiscalização. Mas assim que for definida uma estratégia de retirada dos ambulantes a sociedade será avisada.

A reportagem do O Hoje esteve em alguns terminais e apurou que no próximo dia 17 de julho será realizada uma operação de retirada dos ambulantes. Eles estão preocupados e apreensivos quanto a essa ação da empresa. “Para onde iremos com nossas mercadorias se tivermos que sair daqui”, se manifestou um ambulante vendedor de calçados.

Mas a Metrobus não pode confirmar essa data. A empresa afirmou ainda que a presença dos ambulantes afeta o trabalho e o lucro dos permissionários ‘que pagam tributos diretamente’, afirmou a nota.

Fonte: O Hoje