DF: Vagão exclusivo para mulheres ainda não é respeitado

Na superlotação de ônibus e metrôs que circulam no Distrito Federal, usuários se espremem uns contra os outros em busca de espaço. Esse emaranhado facilita mãos bobas, sussurros obscenos e as famosas encoxadas. Desde de 2013, o metrô conta com o sistema de vagão exclusivo para mulheres e pessoas com deficiência em todos os dias da semana e em todos os horários. Novidade ou não, após três anos da implementação do sistema, nem todos respeitam a lei.

O carro exclusivo é sempre o primeiro de cada composição e há marcações na plataforma de embarque de todas as estações para sinalizar a restrição de público nesses vagões. Nos demais carros, o uso continua misto como sempre foi.

Durante o período que a reportagem do Alô Brasília esteve na estação Central do metrô, na Rodoviária do Plano Piloto, alguns homens tentaram utilizar o vagão exclusivo, mas desistiram e se retiraram do espaço, pois as usuárias presentes chamaram a atenção deles. De acordo com o Metrô-DF, a iniciativa tem mostrado resultados positivos, tanto que as próprias usuárias reivindicam mais respeito por parte dos homens que ainda não cumprem a mudança.

A deficiente visual Maria do Carmo afirmou que o sistema traz mais conforto para quem tem alguma dificuldade de locomoção: “pego o metrô todo dia e só não tenho tanta dificuldade porque funcionários sempre me ajudam, mas com o vagão reservado fica mais fácil”, disse.

O autônomo Reginaldo Pereira por pouco não utilizou o vagão por engano, mas viu a tempo a mensagem sobre o uso restrito para mulheres e deficientes: “Melhorou para elas, agora os homens tem que ficar mais atentos”, alertou.

Apesar de a Lei não prever punição aos infratores, o Metrô-DF faz, por meio do CSO (Corpo de segurança Operacional), a abordagem dos desavisados e desatentos, sempre de forma educativa. Quando há flagrante de desrespeito por algum homem, o usuário é convidado a se retirar e, se houver resistência, pode ser encaminhado à Delegacia de Polícia e responder por crime de desobediência. É importante formalizar denúncia de casos de assédio ao Corpo de Segurança Operacional do Metrô, à polícia ou à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher. Diariamente, ao menos 15 usuários entram em contato com a ouvidoria para relatar casos de desobediência.

Fonte: Jornal Alô Brasília