DF: Problemas intermináveis na Avenida Amazonas, na QNJ de Taguatinga

Os problemas são intermináveis: insegurança, risco de atropelamento, falta de espaço para os carros, paradas de ônibus inutilizadas… Esta é a Avenida Amazonas, na QNJ, em Taguatinga Norte. Quem passa por ali coleciona dificuldades.

Na última semana, um homem de 54 anos quase foi atropelado enquanto caminhava da banca de jornais para casa. A situação de Aldo Medeiros se soma a outros depoimentos que mostram o quanto a avenida Amazonas pede socorro.

Os pontos de ônibus do lado direito, no sentido Hélio Prates, possuem parada coberta e recuo separado da pista por um pequeno canteiro. Todavia, os pedestres aguardam os coletivos em pé, no sol, no pequeno espaço do canteiro que divide a baia da pista. Os ônibus não fazem uso do recuo.

Um homem, indignado, desabafou à reportagem: é Michel Campos, que pega ônibus todos os dias na QNJ 1. Ele conta que mora desde 1975 em Taguatinga e se sente incomodado com a situação. “Ninguém faz nada! Tem muitos anos que está assim. De mil coletivos, um entra nessa parada. Até em dia de chuva as pessoas têm de ficar na rua. Fora a enxurrada, que inunda a baia. Aí é que o motorista não entra mesmo, e todo mundo se molha”, reclama.

Explicação

O motorista de ônibus Giovani passa pela avenida todos os dias, em horário de pico. Ele se defende e conta porque não para no local adequado: “O espaço para você entrar e pegar os passageiros é pequeno, a baia é extremamente curta. Quando tem carro estacionado, o ônibus não entra. E para sair é tão ruim quanto. O ângulo da pista é curto, prende o ônibus. Se de noite houver um passageiro muito para dentro da parada dá medo, é perigoso. Não dá para saber quem é, pode ser um bandido”.

Ele completa: “É perigoso tanto para o passageiro quanto para o motorista. Se eles tirassem esse espaço de calçada e fizessem aberto, seria muito mais fácil”.

Para completar, nos dois lados dos pontos, quiosques atrapalham a visão do pedestre. Ainda que o ônibus desejasse acessar a baia, não seria possível visualizar quem faz o sinal. E o perigo por ali também se esconde à noite: muitos assaltantes ficam na parada à espreita de vítimas, segundo moradores. Assim, não há escolha: quem quer pegar o coletivo precisa ir para o meio da rua.

Roubos a pedestres e a coletivos

A Secretaria de Segurança contabilizou, entre janeiro e fevereiro de 2016, 11 ocorrências de roubo em transportes coletivos e 624 ocorrências de roubos a pedestres, em Taguatinga. No mesmo período de 2015, foram 21 ocorrências de roubo em coletivos e 648 ocorrências de roubos a pedestres na região. Sobre dados específicos da QNJ, a pasta esclarece que não dispõe de levantamento pronto com esse recorte. Ainda assim, afirma que a Polícia Militar reforçou o policiamento em todo o DF.

Carro no lugar dos ônibus

Atrás das paradas, há comércios. Como os espaços são pequenos e há poucas vagas, os carros aproveitam o recuo separado pelo canteiro e estacionam dos dois lados. Não há sinalização adequada que proíba a parada dos veículos na baia que seria dos ônibus. Ou seja, é mais um motivo para que os motoristas parem no meio da avenida para buscar os pedestres.

Já no outro lado da via, no sentido Elmo Serejo, o asfalto foi lançado para cima dos pontos devido ao peso de caminhões e coletivos. Além das ondulações, a calçada está quebrada e as pessoas correm risco de se machucar ao andar por ali.

Há um semáforo em um dos pontos, e carros e até micro-ônibus furam o sinal por dentro do recuo dos coletivos. Não é preciso esperar muito para flagrar as irregularidades e o desrespeito às normas de trânsito. Carros na contramão também passam em alta velocidade.

O Detran afirma que o semáforo está instalado corretamente e que, no local, não houve registro de morte. Já o DFTrans informa que enviará um técnico para averiguar se o recuo e o abrigo das paradas estão de acordo com as normas vigentes.

Administração promete obras em breve

O administrador regional de Taguatinga, Ricardo Lustosa, antecipou ao JBr. que há um projeto para a Avenida Amazonas. Segundo ele, as obras devem começar no segundo semestre de 2016. “Eu sei bem como funciona aquele lugar. A situação é perigosa e insustentável. Temos consciência de todo o problema e estamos correndo atrás da solução”, afirmou.

Lustosa disse que o projeto de requalificação está na fase final e será licitado após a conclusão de alguns estudos: “Já está encaminhado para a Secretaria de Obras e falta só a topografia do local”. O estudo topográfico busca reavaliar a situação dos postes, bocas de lobo e galerias de águas. Esses elementos precisarão ser remanejados com a anuência das concessionárias responsáveis (CEB, Novacap, Caesb).

A administração pretende ampliar a largura da via para que efetivamente caibam dois carros nas faixas. O problema da falta de espaço é o mesmo enfrentado na Avenida Samdu, também em Taguatinga. Na QNJ, a faixa é larga para apenas um carro, mas muito apertada para que dois carros trafeguem em segurança. Caso um veículo deseje ultrapassar, parte dele precisa invadir a contramão.

Para piorar, quando os ônibus buscam passageiros fora da baia, a situação é mais grave, já que, por causa do tamanho dos coletivos, não há espaço para que o carro consiga prosseguir na segunda faixa. Com a correção pretendida, as faixas de rolamento terão a metragem correta. Um canteiro central será erguido.

Calçadas e quiosques

– As calçadas estão danificadas. A revitalização também prevê resposta para isso: a construção de novas calçadas e o fim dos puxadinhos das casas e comércios, que tomam o espaço dos pedestres. Há ainda a promessa de uma ciclovia na avenida.

– Quiosques irregulares serão retirados. Os que possuem permissão poderão ser remanejados para facilitar a visibilidade do pedestre.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília