DF: MP do DF quer acesso a provas que levaram Sacha Reck à prisão no PR

O Ministério Público do Distrito Federal informou ao G1 nesta quinta-feira (30) que acompanha as investigações e vai pedir o compartilhamento de provas que resultaram na prisão do advogado Sacha Reck por supostas fraudes no sistema de licitação de transporte público em três cidades do Paraná. O advogado é acusado de favorecer os grupos empresariais Gulin e Constantino, que também atuam no DF.

Reck é acusado de fraudar a licitação que renovou o sistema no Distrito Federal em 2011, orientando o texto do edital de forma a beneficiar as companhias ligadas às duas famílias (Piracicabana e Pioneira, dos Constantino) e Marechal (dos Gulin). As empresas são as principais controladoras do sistema de transporte do DF.

Na ação desta quarta (29) no Paraná foram presas cinco pessoas da Logitrans, empresa de Curitiba do pai de Sacha Reck, da qual ele também é sócio, além do próprio advogado. A Logitrans e outra empresa de São Paulo eram contratadas pelas prefeituras para formatar as licitações. Segundo o MP, os modelos de contratos eram feitos de modo a favorecer os dois grupos.

No DF, a Justiça acolheu em março denúncia contra o ex-secretário de Transportes José Walter Vazquez e mais cinco pessoas – entre elas Sacha Reck – por envolvimento em suposta fraude na licitação do transporte público da capital. Eles se tornaram réus em processo que será julgado pela 2ª Vara Criminal de Brasília. Vazquez e Reck sempre negaram irregularidades no processo.

A licitação também foi alvo de CPI na Câmara Legislativa, que terminou pedindo o indiciamento de 17 pessoas por suposto envolvimento com irregularidades. A CPI funcionou por 11 meses.

Licitação no DF

As suspeitas sobre o processo no DF levaram a 1ª Vara da Fazenda Pública a anular a licitação em janeiro e a dar prazo de 180 dias para que o GDF fizesse uma nova seleção de empresas. Na época, Reck negou as irregularidades, dizendo ter provas de que o processo ocorreu de maneira legal e que ainda não teve oportunidade para se defender.

Segundo o juiz Lizandro Gomes Filho, porém, Reck, atuou "ilicitamente na gestão e consultoria" do processo de licitação em Brasília. O magistrado também cita "relação entre os sócios e diretores" das empresas. Cabe recurso à decisão.

Ao G1, a Procuradoria-Geral do DF afirmou que tem até 28 de julho para recorrer da decisão, por ter tido acesso aos documentos do processo só em junho – quase seis meses após a sentença ser divulgada.

Segundo o órgão, o GDF ainda analisa se vai entrar com recurso. Procuradas, as empresas Marechal (do grupo Gulin), Pioneira e Piracicabana (do grupo Constantino) não se posicionaram.

Questionado em diversas ocasiões, o GDF não responde se abriu investigações internas para apurar as supostas irregularidades. A Secretaria de Mobilidade diz que não pode cancelar o atual sistema porque ainda cabe recurso à decisão judicial e porque deve "respeitar os contratos vigentes".

Fonte: G1 DF