DF: Justiça do trabalho determina operação de 24 trens do Metrô no horário de pico

A Justiça do Trabalho determinou ao SindMetrô/DF, no início da tarde desta terça-feira (14), que enquanto durar a greve sejam mantidos os serviços mínimos e que, nos horários de pico (das 6h às 9h e das 17h30 às 20h30), haja empregados suficientes para operar 24 trens em 24 estações. Também foi marcada audiência de conciliação entre os empregados e empresa para a próxima quinta-feira (16), às 10h.

Usuários do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) enfrentaram transtorno na ida para o trabalho, neste primeiro dia da greve dos metroviários. Para reduzir os impactos na vida dos passageiros, foi elaborado um esquema especial de funcionamento, com circulação de 30% da frota durante os horários de pico, das 6h às 9h. Mesmo assim, muita gente foi pega de surpresa, o que acabou prejudicando a pontualidade no trabalho.

O Governo de Brasília apresentou contraproposta ao Sindicato dos Metroviários (Sindmetrô) ainda na noite dessa segunda-feira (13). No entanto, o diretor da entidade, Ronaldo Amorim, afirma que as medidas apresentadas não atendem às propostas dos servidores. “Vamos levar a carta para o funcionários, mas acho pouco provável que seja acatado e posto um fim no movimento ainda hoje”.

Ele também entende que a manifestação acaba prejudicando a vida dos passageiros. “Reconhecemos que o impacto é grande. Sentimos uma infelicidade com essa decisão. Mas o governo nos empurrou para esse movimento. Praticamente pediu que isso acontecesse”, lamenta. O sindicato reivindica a convocação dos aprovados no concurso de 2013, além de reajuste da data-base, em cerca de 9%.

Transtornos

“Fui pego de surpresa. Cheguei na estação Centro Metropolitano e estava fechada. Tive que pegar um ônibus e enfrentar um congestionamento horrível para conseguir chegar à Praça do Relógio. Pagamos nossos impostos para isso?”, questiona o garçom Fábio Torres, que percorre os trilhos do Metrô todas as manhã para chegar ao trabalho na Asa Sul.

Uma babá, que preferiu não se identificar, teme que seus patrões não compreendam a greve. Ela embarca na Praça do Relógio e desembarca na estação Águas Claras. “Às vezes, os chefes não acreditam que houve paralisação. Espero que eles estejam atentos aos noticiários para que eu não saia prejudicada na história”. A mulher entra no trabalho às 8h. Por volta das 8h30 ela ainda estava estação de origem.

O bancário Edson Nogueira, morador de Ceilândia Centro preferiu protelar o horário de entrada no trabalho, no Setor Bancário Sul. “Me sinto prejudicado por ter de passar por isso e ainda pagar por uma passagem cara”. A recepcionista Marivânia Sampaio também preferiu sair de casa mais tarde para evitar maiores transtornos com a lotação dos trens. “Melhor pegar o Metrô nessa situação que enfrentar engarrafamento. Isso prejudica a gente, mas também é uma situação complicada, pois envolve os direitos de muitos trabalhadores”, reconhece.

Trânsito

Em casos de greves no transporte coletivo, é comum que o brasiliense saia de casa a bordo do próprio carro, o que provoca maiores congestionamentos nas principais vias de acesso ao Plano Piloto. Para dar mais fluidez ao trânsito, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER/DF) liberou as faixas exclusivas da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB) e da Estrada Parque Taguatinga (EPTG). O Departamento de Trânsito (Detran/DF) também liberou as faixas exclusivas do Setor Policial Sul e da W3 Sul e W3 Norte. As liberações serão mantidas até o fim do movimento grevista.

Como a ausência do Metrô sobrecarrega os transportes coletivos, 45 ônibus extras entraram em circulação. Segundo o Transporte Urbano do DF (DFTrans), a empresa Urbi cedeu 10 coletivos articulados para atender a região de Samambaia. A São José acrescentou 15 ônibus articulados para trafegarem em Taguatinga e Ceilândia. Moradores do Guará, Águas Claras, Taguatinga e Ceilândia contam com mais 20 veículos, também articulados, da empresa Marechal.

Fonte: Jornal de Brasília