Goiânia: Até para pagar o Cartão Fácil é um sofrimento

Em tempos de excesso de automóveis nas ruas, trânsito intenso e uma infernal sinfonia de buzinas, o uso do transporte coletivo deveria receber atenção prioritária do Poder Público. Porém, enquanto isso, aqueles que dependem do ônibus para se locomoverem enfrentam inúmeras dificuldades. Uma delas, ironicamente, é pagar por um serviço que não oferece conforto, rapidez, segurança e pontualidade que justifiquem seu valor– de R$ 3,70.

Não é incomum encontrar passageiros no salão de acesso, amontoando-se como podem e se equilibrando. É difícil de imaginar que estejam ali por opção própria, mas sim esperando alguma oportunidade para pagar a tarifa. Alguns passageiros já embarcados se dispõem a ajudar, mas quem não consegue tal solidariedade vê-se obrigado a esperar até o ônibus passar por algum ponto de recarga, por um ou outro vendedor ambulante ou mesmo até os terminais de integração.

Em tese o Sitpass Fácil, criado em 2011, com o objetivo de substituir o bilhete impresso e proporcionar maior conforto aos usuários, seria a solução para tal problema. Porém, recarrega-lo pode ser um exercício de paciência.

“Tem dia que preciso andar para achar um lugar que a recarga esteja funcionando. Até para pagar pelo transporte ruim, o pobre sofre”, reclama o operador de telemarketing Alan Marcos, 22.

Se ter o cartão, não é garantia de não passar raiva, quem o perde também tem suas queixas. “Perdi o Fácil e não tenho dinheiro para fazer a segunda via. Enquanto não acabam, vou comprando o sitpass no terminal, mas vi na TV que vão acabar com o passe de papel. Aí não tem outro jeito. Vou ter de pagar pelo novo cartão”, comenta a diarista Andrea Berenice, 27.

Falta de pontos

Quem chega em Goiânia pela rodoviária ou pelo aeroporto, até conta com linhas de ônibus em locais estratégicos. Porém, quem desejar utilizar o transporte coletivo, pode se deparar com uma surpresa desagradável. Em nenhum deles há um ponto de aquisição do SitPass Fácil, apesar de serem locais de grande aglomeração de pessoas. No caso da rodoviária, o passageiro é obrigado a depender dos ambulantes, que costumam forçar a venda de passes com duas viagens ou mesmo a vender por um valor acima da tarifa oficial.

Procurados pela reportagem, o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo de Goiânia (SET) e a Companhia Municipal de Transporte Coletivo (CMTC) não enviaram respostas até o fechamento da edição.

Ganha Tempo

Deve ser retomada, hoje, o julgamento do mandado de segurança coletivo impetrado pelo advogado Bruno Pena, que pode garantir o retorno do Ganha Tempo. O programa, que permitia ao usuário andar em até três ônibus num período de 2h30, era uma das justificativas de incentivo ao uso do Fácil. No entanto, está suspenso desde o dia 10 de janeiro de 2014, por uma decisão liminar do juiz Jeronymo Pedro Villas Boas em favor do sindicato que representa os rodoviários. A SET alegou que a manutenção da integração temporal acarretava prejuízos financeiros as empresas.

Fonte: O Hoje