Goiânia: Novo preço da passagem de ônibus entra em vigor na Grande Goiânia

Os usuários do transporte coletivo reclamam do novo valor da tarifa que começou a valer neste sábado (6) em toda a Região Metropolitana de Goiânia. O preço da passagem passou de R$ 3,30 para R$ 3,70, um reajuste de 12,1%. O aumento causou indignação de quem utiliza o serviço diariamente. “Se fosse de qualidade, podia subir que a gente não reclamava, mas do jeito que está, não dá”, desabafou o estudante Paulo Rossi, de 21 anos.

O aumento foi anunciado na quarta-feira (3) pela Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC). Segundo o órgão, entre os fatores que motivaram a medida estão os índices inflacionários, o aumento do valor do óleo diesel, o preço de manutenção dos veículos e o salário dos motoristas.

A auxiliar administrativo Maria Navegante, de 42 anos, pega 4 ônibus por dia. Segundo ela, a empresa paga pelo transporte, mas os patrões dela ainda não sabiam do reajuste.

“Meus chefes estão viajando e só chegam segunda, Eu acho um absurdo porque só aumenta e não melhora nada. Eles vão ter que desembolsar R$ 14 por dia pros funcionários continuarem chegando atrasado por conta de pouco ônibus”, afirma.

O problema da falta de ônibus é vivido também pela auxiliar de confeitaria Selma Ferreira de Souza. Ela afirma que já gastou até 4 horas para chegar ao trabalho aos domingos. “Antes, eu demorava uma hora e meia, que já é muito, para ir do Garavelo ao Setor Sudoeste, agora eu já gastei 2 horas para chegar. É absurdo”, disse Selma.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte (Set), Décio Caetano, apesar do aumento no valor da passagem, não há nenhum projeto para melhorar as linhas da Região Metropolitana da capital. “Esse reajuste, apesar de ser acima da inflação, ele não traz equilíbrio para o sistema. As empresas continuam operando com déficit. Não há nenhuma perspectiva no momento de poder fazer investimentos e melhoria no sistema“, afirmou o presidente.

De acordo com ele, de 2014 para 2015 o transporte coletivo da capital perdeu 9% dos usuários. “O sonho de todo mundo que anda de ônibus é comprar um carro, uma moto e parar de andar de coletivo. Isso acontece porque o sistema é ruim e essa realidade precisa mudar”, completou Caetano.

O estudante Paulo Rossi é um dos que sonham em não depender do transporte público. "Eu quero na primeira oportunidade comprar algum meio de locomoção pra mim pra não ter que andar de ônibus", afirmou.

Impactos

Grande parte dos trabalhadores recebe o vale-transporte das empresas. O subsídio é um direito de pessoas contratadas pelo regime da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Com o aumento, os empregadores são a classe mais atingida financeiramente. Como é o caso do gerente de um posto de combustíveis da capital, Fábio Castro.

“Quando eu fiquei sabendo do aumento, pensei em primeiro lugar no desemprego que isso pode causar. Porque hoje em dia tudo que onera a empresa recai sobre o trabalhador”, afirmou o gerente.

Segundo ele, o posto que ele administra tem 7 funcionários, que recebem cerca de R$ 150 de benefício. Com o reajuste, a empresa terá de desembolsar cerca de R$ 177 por cada frentista. “O quadro de funcionários já é pequeno, qualquer reajuste já abala. Imagina o trabalhador autônomo, que paga do próprio bolso”, disse.

O economista Danilo Orsida disse que o aumento da passagem de ônibus em Goiânia só faz com que o poder de compra das pessoas diminua ainda mais. Segundo ele, a mudança de valor é acima da inflação e maior do que o índice de reajuste do salário mínimo, por exemplo.

“À medida que vamos comparando a evolução do salário das pessoas em paralelo ao custo de vida gerado por aumento de transporte, combustível, energia, impostos e tantos outros itens, temos a evidente perda de poder aquisitivo da população”, afirma o economista.

De acordo com Orsida, como o transporte é algo essencial no cotidiano das pessoas, fica praticamente impossível fugir deste gasto. “Talvez uma alternativa seja planejar melhor o roteiro, pedir carona, fazer de tudo para tentar diminuir os gastos”, considerou.

Fonte: G1 GO