DF: Tribunal investiga superfaturamento de R$ 120 milhões no BRT

Com obra suspeita de ter sido superfaturada em R$ 120 milhões o BRT tem hoje apenas metade das estações funcionando em todo o Distrito Federal. O serviço foi inaugurado em junho de 2014 e ainda não funciona por completo.

O BRT transporta uma média de 95 mil passageiros diariamente. A obra custou R$ 648 milhões e ainda faltam ser pagos R$ 50 milhões ao consórcio que administra o serviço. O pagamento da dívida está suspenso por recomendação da controladoria do GDF. Tribunal de Contas do Distrito Federal investiga a execução da obra do BRT desde 2009.

Passageiros reclamam da superlotação dos ônibus que fazem o trajeto entre Gama e a rodoviária do Plano Piloto. “Tanto na vinda, quanto na volta, todos os dias, a mesma rotina, ônibus super lotado. E toda vez que você vier vai encontrar todo mundo em pé”, afirma a assistente financeiro Jane Lima. No terminal do Gama as catracas e os bebedores não funcionam. A caixa de combate a incêndio não tem mangueira e os monitores de informação não foram instalados.

“Se ficar comprovado esse superfaturamento, a empresa tem que devolver para os cofres públicos o valor que está superfaturado”, afirma o presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha.

Dois processos que apontam irregularidades como a baixa qualidade do material utilizado e a falha de fiscalização do governo tramitam na Justiça. De acordo com auditorias realizadas, a obra foi superfaturada em R$ 120 milhões. A auditoria também aponta que o serviço oferecido não pode ser considerado BRT já que falta a instalação de um Sistema de Tráfego Inteligente (ITS).

Com o ITS o serviço terá um centro de controle operacional que dará mais segurança e informações ao passageiro, fará o controle da abertura das portas das estações, catracas, fluxo de passageiros e melhorar o tempo de intervalo entre os ônibus. A tecnologia foi comprada, mas está encaixotada. Segundo o GDF, a obra ainda não foi concluída.

O DFTrans concluiu licitação para contratar mais vigilantes e afirma que vai contratar empresas de limpeza e manutenção. As licitações não foram realizadas quando o BRT começou a funcionar, no governo anterior.

“A expectativa que tanto o DFTrans quanto a Secretaria de Mobilidade estão trabalhando é que no primeiro semestre a gente já tenha conseguido resolver essas questões de entrega de obra, de instalação dos equipamentos do ITS, para que o BRT possa ser operado em sua plenitude”, afirma o diretor-geral do DFTrans, Léo Carlos Cruz.

A obra tem dois terminais e oito estações, mas somente metade delas funciona. As estações do Catetinho, da Quadra 26 no Park Way, da Granja do Ipê e da Vargem Bonita não funcionam desde a inauguração.

As estações abandonadas têm pichações, vidros e alambrados quebrados e até buracos de bala. O mato da estação não é aparado e há vazamento de águas. A estação menos deteriorada é a Granja do Ipê, onde a equipe da TV Globo encontrou vigia.

O DFTrans informou que apura para saber se a viação Pioneira cumpre os horários programados. Se o problema for superlotação, o órgão vai realizar um estudo para reprogramar as linhas.

Fonte: G1 DF