DF: CPI do Transporte quer ouvir juiz que anulou licitação de ônibus

A CPI que investiga supostas irregularidades no transporte público do Distrito Federal vai tentar se reunir ainda nesta semana com o juiz que decidiu anular a licitação de ônibus iniciada em 2011. O colegiado se reuniu em caráter extraordinário nesta terça-feira (2), na Câmara Legislativa, para analisar a decisão do último dia 25.

"Vamos tentar abrir mais uma linha de trabalho nesse semestre. Faremos um pedido de audiência comum ao juiz [Lizandro Gomes Filho], outro ao Decap [Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública] da Polícia Civil e outro ao Ministério Público", informou ao G1 o presidente da CPI, deputado Bispo Renato Andrade (PR).

A Decap foi o braço da Polícia Civil responsável pelas buscas e apreensões na última quarta (27) na casa do ex-secretário de Transporte José Walter Vazquez e na Câmara Legislativa, onde trabalha a ex-assessora de imprensa dele, Mara Viegas. Hoje, ela é assessora de Ricardo Vale (PT), distrital que compõe a CPI.

A ação policial também foi discutida pelo colegiado, mas os deputados não fecharam posição sobre o tema. "Em princípio, a gente não recebeu nenhum dado da polícia sobre o motivo da busca, a suspeita que recai sobre a servidora, nada do tipo. Esse é um dos motivos desse pedido de audiência. Vamos até eles em busca das informações", declarou Andrade.

O parlamentar disse que as autoridades não serão chamadas a depor, mas poderão indicar novas testemunhas ou linhas de investigação que não foram seguidas pela CPI. O cruzamento dos dados telefônicos e bancários de suspeitos, obtidos após quebra de sigilo, também segue em andamento desde o ano passado.

"Precisamos de tudo isso para fechar o relatório. O prazo vai depender muito dessas conversas, na medida em que a gente descobrir novas coisas, que ainda não temos", disse o presidente.

Licitação suspensa

Segundo o juiz Lizandro Gomes Filho, o advogado Sacha Reck, que fez parte da comissão de licitação, atuou "ilicitamente na gestão e consultoria" do processo. O magistrado também cita "relação entre os sócios e diretores" de empresas. Cabe recurso.

Reck nega as irregularidades, diz ter provas de que o processo ocorreu de maneira legal e que ainda não teve oportunidade para se defender.

“Eu respeito a decisão do juiz, mas discordo das suas conclusões porque minha contratação não foi irregular, eu não cometi nenhum ilícito no processo e muito menos atuei de forma imoral ou desonesta. Tenho provas disso, mas infelizmente não tive oportunidade de apresentá-las nesse processo, pois não me ofertaram possibilidade nenhuma de defesa.”

Busca de documentos

Na quarta, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas de Vazquez e Mara. Os policiais também fizeram buscas em outros endereços, em Curitiba e em Goiás.

A licitação do sistema de transporte coletivo ocorreu na gestão de Vazquez, em 2011, e sempre foi cercada de suspeitas de irregularidade. O certame foi alvo de ações judiciais e de uma CPI na Câmara Legislativa, por suposto direcionamento para favorecer algumas empresas na disputa.

O ex-secretário sempre negou irregularidades no processo de licitação. Ele e Mara não quiseram comentar a operação policial. De acordo com a polícia, da casa do ex-secretário foram levados computadores e documentos. Na Câmara Legislativa, policiais procuram informações no computador da ex-assessora dele, que atualmente trabalha com o deputado distrital Ricardo Vale (PT). Ela trabalha há um ano com o distrital.

Fonte: G1 DF