Goiânia: Entidades estudam fim da tarifa única na Capital

A unificação de tarifa no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia pode estar com os dias contados. A Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC) estuda a possibilidade de mudar o modelo de cobrança, alterando os valores de acordo com as linhas ou distância percorrida.

Para o diretor executivo do consórcio, Leomar Avelino Rodrigues, “a unificação tarifária deixou de ser eficaz na região metropolitana expandida de forma tão descontrolada”. Estudos sobre os novos modelos estão sendo realizados já há alguns meses, com base nas recomendações de especialistas. No entanto, não previsão para que alterações nesse sentido sejam implementadas. O assunto passará por debates com usuários.

“Goiânia é a única Região Metropolitana (18 municípios) do País com transporte a preço único, o que prejudica quem anda curtas distâncias e pressiona para cima a tarifa para quem depende muito do transporte”, reforça o diretor. “Atualmente, quem anda pelo Centro paga o mesmo valor que àqueles que chegam de outra cidade.”

Justamente para verificar qual a receptividade para uma mudança desse tipo, o O HOJE foi às ruas conversar com usuários do transporte coletivo. O resultado, como pode ser verificado no BOX, é de rejeição pela maior parte dos consultados.

O economista e professor, Wilson Costa Ferreira, também discorda da possível implementação da medida. “Isso faz com que aquele que anda mais pague menos. Se fizer da forma como está se estuda, acabará penalizando quem não tem recursos ”, alerta.

Ele qualifica que uma mudança no sistema atual seria “desumano e injusto”. “O que deveriam ser debatido é a gratuidade dada a certas classes. O resultado é a transferência de custo para os que pagam. E quem paga? Justamente aqueles que tem baixa renda e moram no fim do mundo”, pontua. “Seria um tiro no pé. Enquanto a mudança não vem, a população deve se preparar para o inevitável aumento da tarifa, que pode ocorrer em fevereiro, exatamente um ano após o último reajuste. “A tarifa de 3,30 foi fixada e definida segundo critérios contratuais. Toda atualização tem motivação técnica, contratual e legal”, explica a RMTC.

Até janeiro de 2015, ovalor era de R$ 2,80. Especula-se que deva subir em R$ 0,50, para R$ 3,80. No entanto, a Companhia Metropolitana do Transporte Coletivo (CMTC) , responsável pelos cálculos técnicos, não confirmou a informação.

Medidas de segurança

Uma das grandes polêmicas do transporte coletivo no final do ano foram as decisões judiciais relativas à garantia da segurança da população. Avelino ressalta que desde 2009 a entidade tem tomado ações em prol da segurança dos clientes. “Em projeto piloto, os ônibus já começaram a ser equipados com câmeras, 230 já contam com os dispositivos”, explica o diretor, pontuando que a implementação em todos os veículos pode levar tempo. “As empresas concessionárias têm buscado financiamento para equipar o restante da frota, o que não tem sido fácil em razão da falta de crédito.”

Hoje em dia, são 312 câmeras nos terminais, ônibus, pontos de apoio e garagens. O Eixo Anhanguera também deve ser beneficiado em breve. “A partir da entrada da Metrobus para o sistema operacional consorciado– como autorizado pela Assembleia Legislativa- os terminais e plataformas do Eixo Anhanguera também poderão receber investimentos para segurança, já que por enquanto são de responsabilidade exclusiva da Metrobus.”

Cenário para 2016 não é de otimismo

As entidades que gerem o transporte coletivo na região metropolitana não vislumbram um 2016 muito promissor. Para eles, a perspectiva para este ano não é de otimismo.

“A crise evidenciada pelas dificuldades das empresas operadoras de transporte público terá de ser vencida com envolvimento do poder público e da sociedade. A quantidade de pessoas que viajam de ônibus diminuiu cerca de 10% em 2015 comparado com 2014”, declara Avelino. “A quantidade de pessoas que viajam de ônibus diminuiu cerca de 10% em 2015 comparado com 2014. Ocorreu um encolhimento da demanda. Para 2016, o cenário na capital também é pessimista, exceto se a economia brasileira tiver melhoria significativa.”

A RMTC avalia que o transporte coletivo é “pouco competitivo” em uma cidade adensada e com trânsito como o de Goiânia. A entidade relata uma perda constante de passageiros para o transporte individual, o que piora o trânsito e diminui a eficiência do próprio transporte coletivo.

Fonte: O Hoje