Entorno DF: Governos querem coletivos do DF atuando no Entorno

Após anos de estudos, ideias e tentativas frustradas de diminuir a agonia diária de 600 mil moradores de cidades goianas do Entorno do DF que dependem de ônibus velhos, lotados, não confiáveis e caros para se deslocar ao DF para trabalhar, estudar ou buscar serviços públicos, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e os governos de Brasília e de Goiás estão próximos de anunciar uma ambiciosa política de mobilidade: as bacias de transporte licitadas no DF em 2011 deverão ser ampliadas para os municípios vizinhos e as empresas que rodam no transporte coletivo local poderão assumir linhas semiurbanas.

Vontade política não parece ter sido um problema. Os governadores Rodrigo Rollemberg (PSB), do DF, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, já se reuniram pelo menos duas vezes para tratar do assunto, desde o ano passado, e já participaram de encontros na sede da ANTT.

Os prefeitos do Entorno também têm pressionado por uma solução rápida, já que as tentativas da ANTT de manter o sistema em funcionamento apresentam cada vez mais falhas.

Obstáculos

O grande obstáculo para a mudança no sistema é jurídico, já que o transporte urbano e o interestadual obedecem a legislações e regras específicas, mas, diante do caos diário enfrentado pelos passageiros, os órgãos envolvidos -- incluindo o Ministério dos Transportes -- têm se esforçado para buscar uma solução técnica.

Ninguém fala oficialmente em prazos, mas a expectativa dos envolvidos é de que essa solução jurídica fique pronta ainda no primeiro semestre, para que tenha início a parte prática.

A ideia é que as empresas que atuam no DF possam assumir o sistema aos poucos, cidade por cidade, para dar tempo a uma adaptação e para a compra de novos ônibus.

Como boa parte dos contratos das empresas que atualmente atuam em cidades como Luziânia, Novo Gama, e Planaltina de Goiás são emergenciais ou precários, a ANTT não terá muitas dificuldades para substituí-los.

As empresas que atuam no DF e transportam um milhão de pessoas diariamente veem com bons olhos as tratativas, pois poderão aumentar em mais de 50% seu número de clientes, e, por consequência, o faturamento.

A maior expectativa, porém, é dos passageiros, que poderão utilizar um sistema um pouco mais confiável, que respeite, por exemplo, regras como uso máximo de sete anos para os coletivos e fiscalizações periódicas em suas condições de segurança.

O governo do DF espera ainda desafogar o trânsito no centro da cidade, para onde convergem quase todos os ônibus que chegam das cidades vizinhas. Com um sistema único, seria possível fazer baldeações em terminais como os do Gama e de Santa Maria e facilitar o acesso dos passageiros de Goiás ao Metrô, por exemplo, com integração tarifária.

Fonte: Jornal Metro Brasília