DF: Cerco à licitação de transporte

Dois dias após a Justiça anular parte da licitação que renovou a frota de ônibus na capital, a Polícia Civil do DF (PCDF) cumpriu mandados de busca e apreensão em três cidades, a fim de colher mais evidências sobre supostas irregularidades no certame. Ontem, na primeira hora do dia, agentes estiveram na Câmara Legislativa, onde recolheram materiais de trabalho da assessora parlamentar Mara Viegas. Também em Brasília, a corporação esteve na casa do ex-secretário de Transporte José Walter Vazquez. Em Curitiba, a PCDF vasculhou o escritório e a casa do advogado e consultor da concorrência Sacha Reck, além da sede da Marechal, companhia proprietária de coletivos que rodam no DF. Em Alexânia, a 100 km do DF, a casa do presidente da Comissão de Licitação, Galerno Furtado Monte, foi revistada.

Na segunda-feira, a 1º Vara de Fazenda Pública do DF determinou o cancelamento da concorrência das bacias 1 e 4, que tiveram como vencedoras as empresas Piracicaba e Marechal, respectivamente. Outras três ganhadoras do certame, a Expresso São José, a Urbi e a Pioneira, também fazem parte do processo que corre há quase três anos na Justiça. O magistrado estabeleceu o prazo de 180 dias para realização de uma nova licitação. A mesma concorrência já havia sido objeto de ação de improbidade ajuizada pelo Ministério Público do DF e Territórios contra Vazquez, Reck, Furtado e o ex-coordenador da Unidade de Gerenciamento do Programa de Transporte Urbano José Augusto Junior.

Segundo o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (Decap), Alexandre Linhares, "provas robustas” de irregularidades na licitação justificaram a ação da polícia. Dois inquéritos sobre o caso estão em andamento: "Temos indícios bastante consistentes, tanto que o Tribunal de Justiça determinou esta semana a suspensão da licitação”, disse.

Linhares garantiu que Mara não é suspeita de desviar dinheiro do certame, mas estão sendo apuradas denúncias de que ela teria passado informações privilegiadas da CPI do Transporte a investigados. A assessora trabalha para um integrante da comissão, o distrital Ricardo Vale.

As ações da Justiça e da polícia repercutiram na Câmara Legislativa, onde uma Comissão Parlamentar de Inquérito investiga a mesma licitação. O presidente da CPI, Bispo Renato Andrade (PR), marcou uma reunião extraordinária para terça e afirmou que apenas aguarda o cruzamento dos dados dos sigilos fiscal, bancário e telefônico para fechar o cerco aos acusados. "É bem provável que o Sacha Reck venha depor de novo, afinal, ele disse não ter tido chance de se defender”, diz.

O Correio não localizou Vazquez, Furtado, Reck e Mara Viegas. O deputado distrital Ricardo Vale afirmou que busca mais informações policiais para tomar providências a respeito. As empresas atingidas pela determinação da Justiça alegam que ainda não foram notificadas e por isso não comentaram o assunto. O GDF afirmou que espera mais detalhes, mas antecipou que estuda a possibilidade de recorrer da decisão.

Fonte: Correio Braziliense