Goiânia: “Semiurbano não existe em Goiás”

A Agencia Goiana de Regulação (AGR) tem julgado com frequência autos de infrações da Viação Araguarina decorrentes do excesso de passageiros e de falta de cinto de segurança, segundo o conselheiro Danilo Guimarães Cunha. Segundo ele, o transporte semiurbano é ilegal em Goiás.

A Viação Araguarina argumenta que a norma complementar 009 garante a ela o direito de transportar passageiros entre Goiânia e Anápolis sem cinto de segurança. O que diz essa norma?

Essa norma não existe no mundo jurídico, não tem força legal porque foi revogada por leis posteriores que regulamentaram o transporte rodoviário de passageiros em Goiás. A empresa insiste em uma insegurança jurídica porque o transporte semiurbano não existe em Goiás.

A empresa afirma que vem sendo multada apenas quando o número de passageiros em pé excede o previsto na norma.

Não. Ela vem sendo multada por todo passageiro em pé na ordem de R$ 400 por passageiro.

A Araguarina pode vir a ser punida administrativamente por cometer de forma reincidente essa infração?

A lei 18.673, do ano passado, no que tange às concessões, prevê sanções que vão de advertência à caducidade da concessão. Estamos esperando a regulamentação da lei para tomar providências mais severas em desfavor da empresa.

Odisseia no ônibus 3109

Cada um se ajeita como pode no ônibus 3109 da viação Araguarina, linha que vem de Anápolis para Goiânia. Nem todos conseguiram assento na viagem marcada para as 8 horas de ontem, mas ela segue assim mesmo, com sete passageiros em pé. No percurso para a capital, após a saída da rodoviária, o primeiro ponto de embarque é próximo à prefeitura de Anápolis. Mais quatro pessoas entram. Logo adiante mais uma parada, na qual três passageiros embarcam e ficam também em pé. Pela frente outros dois pontos na Avenida Brasil e mais gente sobe. A essa altura da viagem o espaço já está concorrido. São 19 pessoas em pé a uma velocidade média de 100 quilômetros por hora. Um menino de aproximadamente 6 anos vem em pé, agarrado à perna de uma mulher que parece ser sua mãe.

O jeito é recorrer às escadas e estruturas metálicas para se acomodar. Uma das pessoas que faz isso é o camelô Antônio José dos Santos. “Consegui esse espaço aqui, mas está muito cheio. Ônibus como esses não rodam mais em lugar nenhum do mundo. Onde já se viu? Não tem elevador para cadeirantes nem lugar para colocar mala e, quando chove, os passageiros se molham.”

O ônibus só não é considerado um coração de mãe, onde sempre cabe mais um, pelo fato do motorista não ter feito a última parada logo após o viaduto da saída do município. Cinco pessoas ficaram para trás.

Para alguns, essa labuta é diária. E o cálculo da diarista Aparecida dos Santos é simples. Ela sai pelo menos duas horas antes de entrar no trabalho na capital. “Pela demora da viagem e prevendo qualquer acidente.” As queixas dela são em relação ao excesso de passageiros e às condições da frota. “Se tiver uma freada mais forte vai todo mundo ao chão. Vai lotado e ninguém tem cinto. Isso quando o ônibus não estraga. Várias vezes já fiquei no meio da pista e para mandarem outro é uma espera tremenda”, relatou. Uma hora e 10 minutos depois de viagem ela chega à Praça da Bíblia.

Já na rodoviária da capital, a máxima da empresa, segundo relato dos motoristas, é que quanto mais pessoas dentro dos ônibus, melhor. “Não se pode deixar passageiro para trás”, disse um deles.

Fonte: O Popular