Goiânia: Ônibus semiurbanos da Viação Araguarina não passam em fiscalização

As reclamações dos passageiros que utilizam o serviço da viação Araguarina no trecho entre Goiânia e Anápolis são antigas e continuam as mesmas. Excesso de passageiros e veículos sem cinto de segurança são algumas delas. No entanto, a Polícia Rodoviária Federal (PRF)flagrou durante a tarde de ontem - um dia após o acidente na BR-060 que envolveu um ônibus da companhia - diversas outras irregularidades.

A reportagem do POPULAR acompanhou por mais de duas horas a operação. E foram encontrados problemas em todos os veículos que passaram durante esse período. Por exemplo, nenhum deles apresentava cinto de segurança, exigência prevista no Código de Trânsito Brasileiro para esse tipo de translado. “Se todos que vinham no ônibus que se acidentou estivessem sentados e utilizando cinto, o dano teria sido menor”, frisou o inspetor Fabrício Rosa da PRF. O veículo que colidiu na última segunda-feira transportava 72 pessoas, mas só tinha 52 assentos. E 28 passageiros ficaram feridos.

Foram flagrados ainda veículos com licenciamento vencido, lotações excedentes, tacógrafos estragados, características alteradas, com motorista em exercício ilegal da profissão (por não ter feito o curso obrigatório) e habilitação vencida. Um ônibus foi detido. “Aplicamos as multas cabíveis e daremos um prazo de 30 dias para que a empresa regularize o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV)”, relatou o inspetor. A fiscalizou se prolongou até às 23 horas de ontem, horário em que passa o último ônibus da empresa.

Apreensão

O acidente da última segunda-feira levou medo aos passageiros que precisam do serviço para se locomover diariamente pelo trecho entre Goiânia e Anápolis.

A pensionista Antônia Padilha percorre esse trajeto pelo menos três vezes na semana e, segundo ela, nunca viu um cinto de segurança. “Tenho dois filhos, um na capital e outro em Anápolis. Fico nesse caminho direto e nunca vi um cinto sequer. É importante para a nossa proteção e eu gostaria de viajar com mais segurança”, destacou.

Já a vendedora Adriana Campos relatou um problema recorrente: a superlotação. “No período de férias, como neste mês de julho, o movimento cai um pouco. Mas no horário de pico os ônibus ficam lotados e perigoso. O pessoal vem em pé e a cada freada é um Deus nos acuda”, relatou.

Adriana chama atenção para o fato de que não há outra empresa como opção. “Infelizmente não tem outra forma, né? É só essa empresa que faz esse caminho, então a gente tem de se submeter a isso porque precisa.”

O estudante Felipe Lopes, por exemplo, vinha em pé ontem de Goiânia para Anápolis. Fato comum no percurso, de acordo com ele. “Como sou mais novo, sempre tento deixar os mais velhos sentarem. Assento disponível é raro nesses ônibus”, comentou o jovem.

Empresa já levou 854 multas este ano

Ao longo desse ano, a Agência Goiana de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (AGR) já realizou 6.352 abordagens de fiscalização aos ônibus da viação Araguarina. O resultado foi a aplicação de 854 multas por infrações e apreensões de 163 veículos.

Conselheiro da agência, Danilo Guimarães Cunha ressalta que as principais autuações são motivadas por atraso de horário, más condições dos veículos e condições de higiene.

Ele explicou que as queixas em relação ao cinto de segurança e ao excesso de passageiros também geram multas.

“A AGR não permite que o ônibus saia da rodoviária com superlotação”, defende. “Essa é uma questão regulamentada pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) que, além de exigir que todos os assentos possuam cinto de segurança, não permite que os passageiros trafeguem em pé”, completa.

As exceções são os percursos autorizados, como os ônibus urbanos da Região Metropolitana.

Já as multas geradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Goiás, que também tem essa competência, chegam a 90 em 2015. Os números, porém, estão defasados, muito em função de um problema, ontem, no sistema da PRF, como explicou o inspetor Fabrício Rosa.

Já no País foram registradas nesse ano 1.249 multas por excesso de passageiros. Mais da metade das registradas em 2014, quando registrou-se 2.046 irregularidades.

Legislação

Outro problema ressaltado pelo conselheiro da AGR é que os ônibus fabricados antes de 1999 não precisavam vir de fábrica com o cinto de segurança. “É um absurdo, mas a norma admite essa possibilidade. No caso desse trecho, nenhum ônibus foi fabricado antes disso. Portanto, todos necessitam do utensílio”, avisa.

Fonte: O Popular