Goiânia: Ônibus semiurbano é criticado

A possibilidade de se criar em Goiás um regime semiurbano de transporte rodoviário de passageiro, conforme defende Leônidas Júnior, diretor da viação Araguarina, não é recomendada, na opinião de especialistas ouvidos pelo POPULAR, e também não está na pauta do governo, de acordo com chefe da Advocacia Setorial da Secretaria de Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente (Secima), Bruno Belém.

Segundo Júnior, a legislação que trata do transporte de passageiro prevê uma norma complementar que criaria o regime e seria com base nessa premissa que a empresa vem transportando passageiros sem cinto de segurança e em pé.

Todavia, o transporte de passageiro sem o equipamento de segurança em trajetos maiores que 30 km não é seguro, segundo o doutor em Engenharia de Transportes e professor universitário, engenheiro civil Benjamim Jorge dos Santos. Segundo ele, o transporte urbano de passageiro deve se limitar às regiões metropolitanas. “Rodovia não é para velocidade baixa e em altas velocidades os acidentes são muito severos”, argumenta. Nesta semana, um acidente na BR-060 entre Goiânia e Anápolis deixou 28 pessoas feridas.

Para o especialista em Transporte e professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) Marcos Rothen, o transporte semiurbano é “totalmente inadequado”. Segundo ele, veículos que carregam passageiros em pé não podem ultrapassar a velocidade de 60 km/h. “Além de ser perigoso, o Código Brasileiro de Trânsito não permite”, observa Rothen.

O professor da IFG chama a atenção para o fato de haver, entre Goiânia e Anápolis, um trecho onde os veículos desenvolvem altas velocidades, o que representa um risco para os ônibus de transporte urbano, “próprio para andar a 60 km.”

Estado pode estudar novo regime

A discussão sobre um novo regime de transporte rodoviário de passageiros não está em andamento no governo, mas pode entrar na pauta, segundo o Bruno Belém, chefe da Advocacia Setorial. Segundo ele, o Plano Nacional de Mobilidade, de 2012, prevê, além do transporte metropolitano - que já existe em Goiânia e é regulado pela Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), e o intermunicipal, regulado pela Agência de Regulação de Goiás (AGR), um regime semiurbano. “Talvez faça sentido discutir um regime que unisse queda de tarifa e segurança.” Todavia, ele afirma que a linha sobre competência para legislar sobre transporte é muito tênue e pode gerar conflitos.

Fonte: O Popular