Goiânia: Obras e reclamações avançam

As árvores foram arrancadas, o trânsito desviado e as máquinas perfuram o canteiro central da Avenida Uru (Alameda do Almeida) no Setor dos Afonsos, na proximidade da Avenida Rio Verde, na divisa entre Goiânia e Aparecida. As obras fazem parte da implantação do corredor de ônibus de trânsito rápido (Bus Rapid Transit ou BRT, na sigla em inglês), na frente sul/norte e avançam em um ritmo de um quarteirão por semana.

As intervenções são para a implantação de tubulações para escoamento pluvial, já que as antigas possuem a idade do bairro, cerca de 30 anos, e não comportam a água resultante da impermeabilização do solo na região. Para agravar, o terreno é desnivelado, de modo que toda a chuva desce pela Av. Uru. Tubos com maior capacidade estão sendo colocados no local. A expectativa é que até agosto a mudança seja finalizada.

Com o fim das intervenções nas ruas contíguas, a Avenida Rio Verde, na divisa de Goiânia com Aparecida, e um das principais vias de ligação das duas cidades, deve receber as obras. O problema é que ainda corre negociação com a Saneago para resolver entraves na questão da rede de esgoto que será afetada pela obra, o que pode atrasar o início do trecho da Rio Verde; a previsão é para agosto.

O coordenador do projeto do BRT, Ubirajara Abud, afirma que a região possui grande quantidade de tubulação de esgoto e que é preciso do aval da Saneago para que as obras avancem. Com esse aval, que está prometido para sair na próxima semana, serão feitos desvios. A partir dessa preparação, a trincheira na Avenida Tapajós com Avenida Rio Verde deve ser iniciada. “Há a preocupação com o período das chuvas. Teremos pouco menos de três meses para deixar tudo pronto. Por isso é uma incógnita se iniciaremos a trincheira ainda neste ano”, afirma.

Trânsito

O segurança Adão Cristalino, 25, passa todo dia pela região, já que mora no Setor dos Afonsos e trabalha num açougue na Avenida Uru. Ele relata pequenos transtornos que as obras trazem. A primeira delas é o desvio no trânsito. “Não há indicação correta sobre os desvios, e como muda muito, toda semana a surpresa é diferente”, diz. As obras avançam rumo a Aparecida de Goiânia.

Na própria Avenida Uru, com a Avenida Mineira, onde foi instalado um semáforo, há sinalização de intervenção e placa de desvio, indicando o caminho rumo a Avenida José Leandro da Silva (veja quadro), para quem segue sentido Goiânia/Aparecida. No entanto, não há mais indicações depois. O motorista que segue desavisado pode se confundir e acabar se perdendo. Nas ruas laterais e próximas só há placas de trânsito interditado.

“Poeira, muita poeira”, reclama o advogado Gleidson Rodrigues, 52. Com o escritório em frente às obras, ele sente de perto as mudanças. “Arrancaram as árvores, agora, com a poeira, não passam nem mesmo um caminhão com água para aliviar”, continua Rodrigues.

Frentes de trabalho em situações opostas

As duas frentes de trabalho do corredor de ônibus de trânsito rápido (Bus Rapid Transit ou BRT, na sigla em inglês) previstas para ocorrerem ao mesmo tempo seguem caminhos completamente opostos atualmente.

De um lado, o trabalho feito na Avenida Goiás Norte se encontra dentro do prazo, já com o trabalho de concretagem da pista por onde vão passar os ônibus, as obras na Avenida Rio Verde, entre o Terminal do Cruzeiro e cruzamento com a Avenida Tapajós, seguem sem data para início. A previsão agora é para agosto.

Na Goiás Norte, a pavimentação antiga da pista onde será instalado o corredor já foi retirada e agora os trabalhadores preparam para fazer a concretagem do local.

Concreto armado

Em vez de asfalto, está sendo colocado concreto armado para suportar o peso e a frequência dos ônibus que passarão por ali. A extensão dessa parte do corredor terá 4,8 km. A obra foi iniciada no fim de maio pelo Consórcio BRT, formado pelas empresas Isolux, EPC e WVG, vencedoras da licitação.

Na Rio Verde, há apenas algumas obras de drenagem próximas ao cruzamento com a Avenida Uru, para não haver problemas com a canalização pluvial quando as obras começarem. Em paralelo a isso, corre negociação com a Saneago para resolver entraves na questão da rede de esgoto que será afetada pela obra. Os responsáveis pelo corredor afirmam que é possível começar o trecho da Rio Verde em agosto sem que o período de chuvas atrasar o serviço.

Lotes estão sendo avaliados para desapropriação

As desapropriações de dez lotes nas proximidades da Avenida Rio Verde para implantação do corredor de BRT ainda estão em fase de avaliação. A expectativa é que no prazo máximo de 60 dias, as negociações com os proprietários comecem e os terrenos sejam devidamente desapropriados para o avanço das obras públicas.

O coordenador do projeto do BRT, Ubirajara Abud, diz que a documentação dos cinco lotes que estão no território municipal de Goiânia estão mais avançadas, o que deve permitir uma negociação mais rápida. “Esperamos que em dois meses esteja tudo bem resolvido”, reforça.

Pouco impacto

O presidente da Secretaria Municipal de Trânsito de Aparecida de Goiânia, Waldemir Souto, afirma que a região onde estão mexendo não é tão impactada pelas obras e o fluxo de veículos segue normalmente, só desviando duas quadras. “Os desvios são feitos de acordo com o avanço das obras. Tudo está bem sinalizado. Obras sempre causam transtornos, mas é normal, passa”, argumenta.

Fonte: O Popular