Goiânia: Multas caem 57% em um ano


Aos poucos, os ônibus do transporte coletivo da região metropolitana de Goiânia têm conseguido mais espaço nos três corredores preferenciais implantados na capital desde 2012. Se no começo as regras eram complicadas e o comportamento do condutor de usar a faixa da direita predominava, no último ano a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) verificou diminuição de 57% no número de multas a quem trafega na faixa da direita, reservada ao transporte coletivo.

Em maio de 2014, apenas com os corredores T-63 e Universitário, a SMT realizou 8.628 autuações por tráfego na faixa preferencial. No mesmo mês deste ano, o número de multas pela mesma ocorrência nas mesmas vias foi de 3.665. Isso indica que menos veículos particulares têm trafegado pelos corredores, deixando o espaço mais livre para o transporte coletivo. A mudança chega a aumentar a velocidade média dos ônibus em um quilômetro por hora.

Para se ter uma ideia, em fevereiro do ano passado, no Corredor Universitário, que foi implantado em meados de 2012, chegou-se a registrar cerca de 5,8 mil multas mensais, enquanto na T-63, que começava a fiscalização, o patamar foi de 4 mil infrações. No início do Corredor 85, ainda sobre o tráfego na faixa da direita, em abril deste ano, o número de multas foi de 2,4 mil.

Para o diretor técnico da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Sávio Afonso, responsável pelo projeto de implantação dos corredores, os números mostram que os motoristas estão mudando o comportamento. “É visível essa educação por parte dos condutores”, afirma. Para Sávio, os números dos corredores Universitário e T-63 tendem a se estabilizar no patamar atual, entre 1,5 mil e 2 mil multas, enquanto que os números na Avenida 85 ainda devem diminuir.

O próximo corredor a ser finalizado, na Avenida T-7, deve passar pelo mesmo processo, segundo Sávio: no início, número alto de multas; com o tempo, redução. “Já na 24 de Outubro, que será o próximo (após o da T-7), imagino que já comece mais baixo”. O diretor lembra ainda que a adequação dos corredores, além de facilitar o fluxo dos ônibus, fez com que se reduzisse o número de acidentes da via, o que está ligado à redução das multas. Segundo ele, em 2011 houve três óbitos na Avenida Universitária enquanto que, desde a implantação do corredor, não houve nenhum.

Há espaço para melhorar, diz engenheiro

A redução do número de infrações de motoristas que trafegam na faixa preferencial do transporte coletivo ainda pode ser maior, segundo especialistas em mobilidade urbana. O engenheiro civil e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Willer Carvalho, acredita que a implantação de corredores totalmente prontos, o que não ocorreu nas Avenidas T-63 e 85, vão melhorar este processo de consciência. A expectativa dele é que o Corredor T-7 já se inicie em um baixo número de multas.

Carvalho afirma que o motorista de Goiânia ainda pode melhorar também em relação à “consciência da multa”, ou seja, mesmo esses condutores que ainda trafegam na faixa preferencial dos ônibus poderão começar a temer o valor de R$ 53,20 pagos pela infração. Arquiteta e urbanista e professora da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Angélica de Amorim Romacheli reforça que a consciência coletiva vai mudando aos poucos.

Segundo ela, Goiânia ainda é uma cidade com pouco tempo de urbanização, em que as pessoas ainda estão compartilhando experiências e não sabem utilizar a cidade. “O que percebo é que ainda precisamos arrancar espaços na marra, como no caso dos corredores. Com o tempo, as pessoas vão entendendo que terão de ceder espaços”, explica. Para ela, a redução nas multas também se dá pela mudança de rotas de alguns condutores, o que é positivo, já que estes passam a dividir o tráfego pela cidade.

Secretário descarta mudança na fiscalização

Titular da SMT, Andrey Azeredo acredita que o motorista está, de fato, mais consciente em relação à faixa dos ônibus e que isso mostra um ganho de cidadania para a mobilidade urbana. Já o doutor em Transporte e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), o engenheiro civil Willer Carvalho, percebe que o motorista na capital se preocupa com as multas.

Para Carvalho, seria importante que a consciência se tornasse um processo de educação, a ser levado para outras vias. “Acho que a redução é um pouco de consciência do motorista de que existe a multa, mas mostra que qualquer medida que prioriza o transporte coletivo é vantajoso”, diz.

Em relação a mudanças na fiscalização, Azeredo relata que a SMT tem monitorado todos os corredores, mas que, no momento, não há qualquer projeto sendo elaborado neste sentido.

Fonte: O Popular