Goiânia: Cabines no Eixo Anhanguera são alvos de criminosos

“Estamos à mercê dos assaltantes nas cabines do Eixo Anhanguera, que parecem saber direitinho o horário do fechamento dos caixas (por volta de dez e meia da noite) e aproveitam que não há vigilantes e nem policiais militares para praticar assaltos, todos os dias da semana”. A declaração é de uma atendente, que não quis se identificar, mas que teme por sua vida ao ter que se expor cotidianamente aos furtos e roubos que acontecem nos locais.

Ela explica que os furtos e assaltos às cabines onde são vendidos bilhetes de Sit Pass se tornaram corriqueiros após a saída dos vigilantes que trabalhavam nas plataformas do Eixo Anhanguera. A mulher afirma que as mais visadas pelos assaltantes estão situadas na Rua 20, no centro e na Praça do Botafogo e no Setor Universitário, na região Sul.

A mulher revela que uma colega foi abordada uma noite, na Rua 20 e o assaltante chegou com um facão forçando a porta. “Ele fez tamanho alvoroço que ela não teve outra opção a não ser abrir a porta e deixá-lo entrar na cabine”. A atendente conta que, além de entregar o dinheiro arrecadado com a venda dos bilhetes, a moça ainda foi obrigada a dar ao bandido o celular pessoal e o da empresa mais o dinheiro que era dela.

Outros casos

A mesma pessoa relata ainda que já presenciou um assaltante chegar armado com um revólver e exigir a entrega do dinheiro que estava no caixa. “Uma vez, outro marginal praticou um assalto em uma cabine e saiu avisando que iria assaltar outras cabines”.

A mulher diz que, na maioria das vezes, ao acionar o botão do pânico, as atendentes esperam que junto com o encarregado da empresa também venham policiais militares. “Mas, isso não acontece. E, também, não fomos levadas para registrar Boletins de Ocorrência em nenhuma delegacia”. Ela reclama ainda que, a empresa desconta nos salários delas o valor que os bandidos levam. A atendente esclarece que elas recebem um salário mínimo e, com o desconto por causa dos assaltos, o pagamento mal dá para as despesas.

Respostas

Por meio de nota, a Metrobus informa que está buscando a melhoria do sistema de transporte em nossos carros e plataformas. A empresa ressalta que não é responsável pelo quantitativo da PM em terminais e plataformas, mas que sua tarefa é apenas de vigilância patrimonial e não armada. Os profissionais capacitados para a coibição da entrada de bandidos em todos os âmbitos, inclusive no Eixo (plataformas e terminais), são os policiais.

A Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC) informou que sua incumbência é de apenas gerir o transporte coletivo em Goiânia e na região Metropolitana. E que a segurança é da Metrobus.

A reportagem de O Hoje também tentou falar com algum representante do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp), mas não conseguiu.

PM

A orientação da Polícia Militar (PM) nesses casos é ligar no telefone 190 para registrar a ocorrência. Só assim, segundo a corporação, é possível buscar os assaltantes, para efetuar a prisão deles em flagrante.

Sem registros

No 1° Distrito Policial, a informação repassada pelo titular é que não há registros de assaltos às cabines. Segundo o delegado Gylson Mariano Ferreira, só há registros de furtos de passageiros no interior dos ônibus, todos os dias. Ele esclarece que o patrulhamento da Rua 20, no centro da Capital, é responsabilidade desse distrito.

“Não fomos procurados para esse registro não. A nossa orientação é que as pessoas vão a qualquer delegacia de polícia civil, mesmo que tenham acionado a Polícia Militar, a fim de que possa fazer a investigação desses casos”. No 9° Distrito Policial a informação divulgada é de que também não há nenhum registro das ocorrências.

Fonte: O Hoje