DF: Mais da metade dos funcionários da TCB trabalha em outros órgãos no DF

Dos 665 funcionários da TCB, empresa de transporte coletivo administrada pelo governo do Distrito Federal, 387 (58,2%) trabalham em outro local que não a companhia. A maior parte está lotada em outros órgãos do GDF. Dentre os funcionários, 30 não têm o governador Rodrigo Rollemberg como chefe, e sim a presidente Dilma Rousseff, por exemplo.

A maioria dos servidores cedidos têm cargos na Secretaria de Mobilidade, no Centro de Assistência Judiciária do DF, no Na Hora e no DFTrans. Sete trabalham na Presidência da República e um na vice-Presidência, um é funcionário na prefeitura do Novo Gama (GO), três batem ponto no Tribunal Regional Federal do DF, sete no Tribunal Regional Eleitoral e 54 no Tribunal de Justiça.

O GDF informou que o remanejamento se deve à “necessidade de pessoal nas mais diversas áreas do governo”. Também afirmou que a situação é “fruto de um longo processo de redução das atividades da TCB”.

A empresa tem 103 motoristas, 92 cobradores e 46 funcionários que fazem a manutenção e operação dos ônibus. Ela opera com 33 veículos em 14 linhas na área central de Brasília e áreas rurais de Planaltina e Paranoá, atendendo 18 mil pessoas por dia.

Reflexos

Para o motorista Darlei Alves, esse desfalque na TCB torna complicadas as condições de trabalho. “Tem uma sobrecarga na empresa. A gente não pode tirar um abono porque falta gente”, disse. “Era melhor a TCB entregar as linhas para o governo e liberar a gente para outras companhias.”

O presidente da TCB, Jean Marcel Fernandes, estima que a situação só deve melhorar com a volta de pelo menos 50 funcionários, principalmente cobradores e técnicos na manutenção dos ônibus. Segundo ele, a empresa enfrenta “necessidade tanto administrativa quanto operacional”.

A falta de efetivo tem reflexos no funcionamento, de acordo com Fernandes. “Os trabalhadores têm que fazer mais horas extras. E colocamos em circulação menos ônibus do que poderíamos ter”, afirmou. “Poderia ter mais ônibus circulando na linha 108 [que atende a Esplanada dos Ministérios]. Nas áreas rurais, temos uma demanda muito grande.”

Fernandes cita um plano de demissão voluntária, assinado por 81 funcionários. “São pessoas que manifestaram o desejo de parar de trabalhar, mas que eu não posso liberar porque senão eu paro a operação”, lamentou. “É difícil até para montar escala de trabalho.”

Diretor do Sindicato dos Rodoviários, Saul Araújo questiona a demanda da TCB por mais funcionários. “Vai botar onde?”, indagou. Na opinião dele, outras empresas têm mais necessidade. “Hoje a TCB está só com 33 ônibus e 14 linhas em operação. Ela quer recuperar outras linhas?”, referindo-se à menor importância da companhia na frota de mais de 3 mil ônibus no DF.

Greve

No dia 20 passado, os rodoviários da empresa encerraram uma greve de uma semana. Os trabalhadores pediam 20% de reajuste nos salários, 50% sobre o tíquete-alimentação, extensão do plano de saúde aos familiares e reconhecimento dos direitos de herdeiros em caso de morte.

O diretor-presidente da TCB, Jean Marcel Fernandes, afirmou aos rodoviários que não tinha condições de conceder o aumento porque o GDF já havia estourado o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Fonte: G1 DF