Avanço tecnológico contribui para melhorar gestão e serviço de empresas de ônibus urbanos no Brasil

HP Transportes - 20050
A ciência voltada para o transporte coletivo urbano avança cada vez mais e aprimora os meios de locomoção pelas cidades. Em 1662, quando surgiu o transporte de passageiros na cidade de Paris, na França, o meio utilizado para realizar as viagens eram as carruagens. Após séculos de muitos estudos, várias tecnologias surgiram e hoje vão desde a estrutura dos veículos e motores a softwares que administram a operação do transporte coletivo urbano. Todas buscam um denominador comum: melhorar a qualidade do serviço, com mais conforto aos passageiros, economia para as empresas e sustentabilidade para as cidades.

Os sistemas de bilhetagem eletrônica, serviços pelos quais os usuários conseguem efetuar o pagamento da passagem por meio de cartões magnéticos e validadores instalados nos ônibus, têm se tornado cada dia mais usual pelas empresas. Tanto que existem cidades em que 100% das tarifas são pagas com o cartão, como exemplo a cidade de Campo Grande (MS).

Para o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha, além de permitirem aos usuários uma viagem mais segura, essas soluções contribuem para o monitoramento do veículo e também para o controle de passageiros transportados. “A bilhetagem eletrônica ajuda a reduzir o número de assaltos, já que os ônibus passam a circular sem dinheiro e ajuda no controle dos usuários do serviço, principalmente os que utilizam benefícios tarifários, como estudantes”, pontua.

As empresas que fornecem softwares e equipamentos com esse tipo de serviço têm como premissa a inovação. Além da utilização de cartão, alguns validadores conseguem fazer a leitura por biometria digital e facial, o que dificulta as fraudes. Atualmente, a Rede Ponto Certo, empresa de recarga do Bilhete Único de São Paulo, vem trabalhando com uma solução de bilhetagem utilizando um relógio de pulso que permitirá efetuar pagamento das passagens com um único gesto: encostar o dispositivo no leitor do validador na hora do embarque. Essa tecnologia, chamada Watch2Pay, já é utilizada como meio de pagamento em países como Turquia, Rússia, Polônia e Reino Unido.

“Esse dispositivo pode no futuro comportar outras carteiras do interesse da prefeitura, voltados para os usuários do sistema, pois conta, por exemplo, com aprovação mundial para uso também como cartão de débito. É usado ainda para entrada em estádios de futebol e outros grandes eventos”, diz Nelson Martins, presidente da Rede Ponto Certo.

O Watch2Pay já está em teste desde 2014 em São Paulo, Recife e Ribeirão Preto. A comercialização está prevista para agosto de 2015. O equipamento poderá ser recarregado em qualquer ponto da Rede Ponto Certo na capital paulista, além de outras redes credenciadas. Inicialmente, será vendido em lojas virtuais com preço sugerido de R$ 230. Em 2013, essa tecnologia, denominada NFC (em inglês, Near Field Communication), que consiste na aproximação de dois dispositivos eletrônicos compatíveis para a realização de transações, começou a ser testada em São Paulo e no Rio de Janeiro com aparelhos celulares. Ou seja, além do relógio, o aparelho móvel ao ser aproximado do validador debita os créditos da passagem, liberando a catraca do ônibus para o usuário.

O validador é um equipamento essencial na bilhetagem eletrônica já que por meio de comunicação direta, com o uso da internet, o sistema faz a liberação da catraca para o passageiro. Normalmente, os aparelhos oferecem no visor o valor total de créditos que os usuários ainda possuem no cartão.

No entanto, uma nova proposta de validador chega ao mercado. Além da função básica de liberação do passageiro, o aparelho CCIT 4.0, fabricado pela empresa Tacom, possui um sistema de mídia direcionada para o usuário. O custo pode variar de acordo com o tamanho da empresa.

Com um visor de sete polegadas e touch screen (sensível ao toque), é possível inserir conteúdos publicitários voltados para públicos alvo, região e horário, oferecendo a possibilidade de realização de pesquisas de opinião em horários determinados, como explica o diretor comercial da empresa, Marco Antônio Tonussi.

“É uma alternativa importante para a manutenção de custos das empresas, que pode ser usada por diversas marcas e instituições para se comunicar ativamente, da mesma forma que acontece no ambiente online”, anuncia o diretor.

Gestão em nuvem

A computação em nuvem, outro avanço da tecnologia, permite a utilização da memória e das capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet. Ou seja, é possível acessar, via internet, arquivos e softwares que dão acesso a sistemas das empresas. O gerenciamento das empresas de transportes coletivos com armazenamento em nuvem é uma das novidades que surgiram no mercado. Com o software Globus Cloud, da BGM Rodotec, é possível as empresas terem o controle administrativo acessando de qualquer lugar. Além disso, permite a redução de investimentos em servidores, que podem custar, em média, R$ 10 mil.

O ERP Globus, principal possui 45 módulos e tem como objetivo controlar toda a parte administrativa e operacional da empresa. É um software desenvolvido especificamente para o sistema de transporte, explica o gerente comercial da empresa, Valter Silva. “O Globus centraliza todas as informações da empresa em um único sistema. Isso torna a gestão mais dinâmica, tanto do ponto de vista financeiro quanto na tomada de decisão”, enfatiza. A política de preço para aquisição do Globus é definida em função da quantidade de usuários e dos módulos que serão utilizados permitindo que empresas de pequeno porte também consigam utilizar o sistema.

Ônibus sustentáveis

Os ônibus coletivos, que hoje são responsáveis por mais de 80% das viagens do transporte público no Brasil, já passaram por muitas modificações. A história conta que no século XIX surgiu o motor elétrico e que, em 1910, já circulavam no Rio de Janeiro ônibus com esse tipo de motor. A principal vantagem do avanço dessas tecnologias veiculares é a sustentabilidade, já que reduzem a emissão de poluentes no ar.

Um ônibus totalmente elétrico não emite poluentes. Já um veículo híbrido – que combina duas ou mais fontes de energias e que proporciona potência de propulsão direta ou indiretamente – emite 90% a menos de material particulado e 60% a menos de outros poluentes, informa José Antônio do Nascimento, da fabricante brasileira Eletra.

Para José Antônio, além dos benefícios de sustentabilidade, o custo operacional e o de manutenção por quilômetro também é mais baixo. “Até mesmo os ônibus híbridos, que possuem motor gerador, têm um custo de operação menor, já que é possível recargar a energia das baterias durante a frenagem”, explica.

O ônibus híbrido-elétrico, que está sendo fabricado pela Volvo e chega ao Brasil em 2016, pode fazer de 28% a 35% de economia de diesel e acima de 50% de economia de poluentes na atmosfera. Se o modo elétrico for maximizado, o ônibus consome até 70% a menos de diesel, mas pode chegar a 100% caso as recargas sejam feitas nos pontos certos podendo nunca acionar o motor a diesel. A bateria pesa 200 quilos e pode ser recarregada nos terminais enquanto os passageiros fazem o embarque e desembarque e também na frenagem do veículo.

Barreiras na aquisição

Essas tecnologias veiculares são mais caras e, no Brasil, ainda são poucos os incentivos para a aquisição desses veículos, alerta o presidente executivo da NTU, Otá- vio Cunha. “Além de terem o custo elevado de compra, são poucas as cidades que possuem estrutura viária com prioridade ao transporte coletivo, e para se fazer um investimento desse, é preciso ter, no mínimo, vias exclusivas”, alerta.

Outro ponto preocupante na aquisição de um ônibus mais sustentável é a falta de segurança em relação ao transporte coletivo de passageiros. Na opinião do presidente da Volvo Bus Latin America, Carlos Pimenta, atualmente o problema do transporte público no Brasil não é o equipamento, mas sim uma crise monumental que se iniciou pelas revoltas em 2013.

“A partir desse episódio a consequência foi uma desestruturação do transporte porque a reação dos prefeitos imediatamente baixar os preços das passagens sem olhar as consequências. Isso desestruturou todas as cidades brasileiras, não permitindo nem a simples renovação de frota, quanto mais à adoção de novas tecnologias que são mais caras e que exigem mais infraestrutura, mais treinamento”, argumenta Pimenta cita ainda a onda de queimas de ônibus. “Quem é que vai querer comprar um ônibus novinho, bonito, cheiroso e caro e ver alguém botar fogo ali na esquina”, completa.

É importante destacar que em cada tipo de linha haverá um tipo de transporte indicado. Sendo assim, por ser uma tecnologia mais cara não há necessidade de utilização desse tipo de veículo em cidades de pequeno porte, com um número reduzido de habitantes e sem trânsito carregado.

Fonte: NTU